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Cinema · · 2 min de leitura ·

Exclusivo – Pelo Malo aborda a “violência das coisas íntimas”, afirma a diretora Mariana Rondón

Exclusivo - Pelo Malo aborda a "violência das coisas íntimas", afirma a diretora Mariana Rondón




A cineasta apresenta no Brasil o drama Pelo Malo, crônica da Venezuela dos dias de hoje.

Uma das estreias desta semana nos cinemas é o drama venezuelano Pelo Malo, grande vencedor do festival de San Sebastian. O belíssimo filme traz a história de um pequeno garoto que sonha em alisar os cabelos para tirar uma foto na escola. Mas ele sofre com a imagem que a mãe e os vizinhos possuem dele. A história consegue abordar habilmente temas complexos como a homossexualidade, o racismo e a política nos países sul-americanos. Confira a nossa crítica.

Para o lançamento desta produção no Brasil, a diretora Mariana Rondón visitou o Rio de Janeiro, e conversou em exclusividade com o AdoroCinema sobre esta produção. O tom descontraído e amigável da cineasta funciona como uma boa metáfora de todo o filme, que também é marcado pela maneira carinhosa de abordar temas bastante difíceis. Confira:

Desde o início, eu queria trabalhar duas coisas em especial: o respeito às diferenças, e como a falta deste respeito pode gerar violência. Eu quis buscar essa violência nos olhares, nos gestos. Não era a violência das armas, e sim toda aquela que existe antes de se pegar numa arma. É a violência das coisas íntimas, mas que podem se tornam grandes e causar feridas nos seres humanos. É a violência ao mais profundo da alma.

Você aborda a descoberta da sexualidade em um garoto muito pequeno. O tema é bastante raro no cinema.

Para mim, esse filme foi como exercício de equilíbrio, para estabelecer justiça. Há pouco tempo, na França, me disseram algo de que eu gostei muito: que este não era um filme sobre a homossexualidade, e sim sobre a homofobia. Quando você olha para o personagem, você percebe a ausência masculina em sua vida, e nota que apenas um personagem é capaz de lhe dar um presente, de lhe dar atenção, de fazer a roupa que ele precisa quando vai tirar uma foto… É isso o retrato da homossexualidade? Ou é o retrato de uma ausência? Eu não decido. Como diretora, nem eu nem o filme decidimos. Deixei um espaço para que o espectador decida, baseado em sua própria experiência.

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