Julia Monteiro
Julia Monteiro
Inteligencia Artificial · 17 de outubro de 2019 · 2 min de leitura ·

Zuckerberg diz defender liberdade em anúncios políticos no Facebook; inclusive mentiras

Zuckerberg diz defender liberdade em anúncios políticos no Facebook; inclusive mentiras

O que você precisa saber

O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, afirmou em uma entrevista se preocupar com a “erosão da verdade”, mas defendeu a liberdade expressão na rede social, mesmo em anúncios políticos que contenham informações falsas. A postura do executivo provocou protestos tanto de democratas quanto de republicanos que já fazem campanha para as eleições presidenciais de 2020.

“As pessoas se preocupam, e eu também me preocupo com a erosão da verdade”, disse ao Washington Post, antes de um discurso nesta quinta-feira (17) na Universidade de Georgetown. “Ao mesmo tempo, acho que as pessoas não querem viver em um mundo onde você só pode dizer dizer coisas que as empresas de tecnologia decidem ser 100% verdadeiras. Acho que essas tensões são coisas que temos que conviver”. 

A abordagem de Zuckerberg foi criticada nas últimas semanas por políticos dos dois principais partidos dos Estados Unidos. Os democratas creditaram o discurso à conivência do CEO perante um anúncio de campanha do atual presidente, Donald Trump, no qual informações falsas sobre o ex-vice-presidente Joe Biden e seu filho Hunter. A senadora de Massachusetts chegou, inclusive, a afirmar satiricamente que o Facebook apoia Trump na reeleição. 

O anúncio sobre os Bidens fez alegações a respeito da conexão da família com a Ucrânia, um elemento crítico no inquérito de impeachment do Congresso. A campanha de Biden pediu ao Facebook para remover o anúncio, descrevendo-o como falso, mas a rede social recusou. A resposta da empresa provocou tensões entre os candidatos democratas de 2020, que acusaram o Facebook de lucrar com a desinformação. 

Zuckerberg dedicou a questão à um debate sobre liberdade de expressão mais amplo, e alertou os perigos das redes sociais, incluindo o Facebook, estarem “potencialmente reprimindo demais”. Ele citou a China como exemplo, que censura o discurso político online, e enfatizou que a empresa deve se opor aos governos que buscam “recuar” a liberdade de expressão diante de tensões sociais e políticas.

Já os republicanos  sustentaram que a empresa censura usuários conservadores e sites de notícias, acusação que o Facebook nega há muito tempo. “Muitas vezes, as pessoas que mais pedem para removermos conteúdos são as primeiras a reclamar quando o conteúdo removido fica do lado errado de sua ideologia”, disse Zuckerberg. 

Compartilhe