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Cinema · · 3 min de leitura ·

Exclusivo: Entrevista com Marcelo Gomes e Cao Guimarães, diretores do drama O Homem das Multidões

Exclusivo: Entrevista com Marcelo Gomes e Cao Guimarães, diretores do drama O Homem das Multidões




Estreia nesta quinta-feira, dia 31 de julho, o drama nacional O Homem das Multidões, dirigido por Marcelo Gomes e Cao Guimarães. O filme traz a história de Juvenal (Paulo André) e Margô (Sílvia Lourenço), dois solitários que tentam estabelecer contatos no caos da metrópole.

O filme, baseado no conto homônimo de Edgar Allan Poe, chama a atenção pelo formato de tela quadrado, pelas cores frias e pela história minimalista, que cativou a crítica. O Homem das Multidões venceu o prêmio de melhor direção no festival do Rio, e foi selecionado na mostra Panorama do festival de Berlim. Marcelo Gomes e Cao Guimarães conversaram em exclusividade com o AdoroCinema sobre este projeto, justificando as escolhas da imagem e falando sobre a ideia da solidão na cidade.

Cao Guimarães: "O projeto tem muito tempo, quase uma década. Quando eu conheci o Marcelo, em Belo Horizonte, ele estava montando Cinema, Aspirina e Urubus, e eu participei um pouco da montagem. Ele viu A Alma do Osso na época, e eu falei para ele desse projeto, parte da trilogia da solidão. Eu falei do conto do Edgar Allan Poe, sobre esse personagem inaugural na literatura, mas ele seria inserido na contemporaneidade, na metrópole do século XXI. Eu queria pensar essa temática da solidão na grande metrópole. Ele topou a ideia de fazer o filme juntos, e em 2007 ficamos dois meses escrevendo o roteiro. Esse foi um projeto meio feito nas horas vagas, mas quando o roteiro ficou pronto, buscamos o financiamento e rodamos só em 2010".

Marcelo Gomes: "Quando a gente se conheceu, o Cao gostou muito do meu trabalho com os atores, e eu fiquei muito impressionado com A Alma do Osso. A gente começou a discutir como seria esse filme, e eu criei uma ponte para desenvolver um projeto na Alemanha. A gente foi para lá criar uma primeira versão do roteiro. Vimos que a parceria estava dando certo, e seguimos em frente. A partir daí entramos nos editais e decidimos que a gente deveria fazer uma pesquisa com solitários em Belo Horizonte, porque isso serviria de base para o roteiro e os personagens. Depois construímos a equipe, composta por mineiros, cearenses e pernambucanos. É um filme completamente fora do eixo! Eu tinha uma preocupação maior com os atores, o Cao pensava mais na parte plástica, na textura das imagens. Foi uma contribuição muito calorosa, muito divertida, apesar do tema tão duro. Foi um filme muito alegre".

Cao Guimarães: "Depois de traçar os sentimentos do personagem, tentamos transformar o filme em algo mais claustrofóbico. E o quadrado achata as bordas, ganha profundidade, torna a multidão mais compacta. O retângulo, como nos faroestes, combina mais com a paisagem, com o homem sozinho. Mas O Homem das Multidões tem muito do sentimento do personagem, e pensei 'Por que não?' Por que somos obrigados a ver tudo? Outras artes já ultrapassaram e exploraram a moldura há tanto tempo, e o cinema continua engessado nesse formato. Por que não brincar um pouco com isso, instigar o espectador a ver de outra forma? Eu…

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