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Games · · 2 min de leitura ·

Marketing no mercado de games: o abismo entre a cartilha corporativa e as comunidades gamer

Marketing no mercado de games: o abismo entre a cartilha corporativa e as comunidades gamer




A indústria de games movimenta mais dinheiro que o cinema e a música somados. Todo executivo de plantão sabe disso. Esse é o dado frio, de prateleira, que abre nove entre dez apresentações quando uma marca decide que precisa “entrar nos games” para rejuvenescer seu público.

Mas a verdadeira indagação que escuto nas salas de reunião é outra: com números tão gigantescos, onde está esse dinheiro que ninguém vê?

Na ânsia de capturar essa receita invisível, aprova-se o orçamento de forma atabalhoada. E é exatamente aqui que nasce um cemitério silencioso de projetos milionários. Ao longo dos anos, o que mais vi foram empresas perdendo rios de dinheiro em campanhas mal construídas. O erro quase sempre é o mesmo: acreditar que basta jogar verba de forma genérica no setor, sem ter alguém na mesa que compreenda a dinâmica do público.

A miopia corporativa ignora quem realmente dita as regras desse mercado. O executivo tradicional olha para os games e enxerga uma vertical de mídia, um outdoor digital pronto para receber uma logomarca. Isso não é marketing no mercado de games. O jogador olha para o mesmo lugar e vê a sua comunidade, o seu espaço intocável de pertencimento.

Existe um abismo entre a mesa de negócios e o servidor do Discord. E é nessa queda livre que o dinheiro corporativo e a reputação das marcas viram pó. A comunidade gamer sente o cheiro de oportunismo a quilômetros de distância e pune severamente o marketing sem estratégia.

Ao longo de mais de uma década atuando na linha de frente deste mercado, vindo do mundo corporativo tradicional e voltando para ele com um pé em cada lado, percebi que o maior desafio de quem tenta surfar essa onda não é financeiro. É puramente cultural.

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