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Cinema · · 3 min de leitura ·

Festival de Brasília 2014: Impressões finais da 47ª edição

Festival de Brasília 2014: Impressões finais da 47ª edição




O Festival de Brasília 2014 chegou ao fim, coroando Branco Sai Preto Fica, de Adirley Queirós, como melhor longa-metragem. Depois de notícias, críticas e entrevistas, o AdoroCinema propõe um balanço geral da edição deste ano, com algumas considerações apresentadas sem ordem precisa:

A média de idade dos diretores selecionados no festival foi surpreendente. Trata-se de um grupo de cineastas jovens (como Gabriel Mascaro, Marcelo Pedroso, Adirley Queirós), em busca de retratar novas formas e sensações. O resultado foram obras exigentes, de potencial comercial reduzido, mas com louvável disposição ao risco. Nem sempre a mistura de formas e linguagens resultou em obras totalmente coerentes (Brasil S/A e Pingo d'Água foram os filmes mais polêmicos neste sentido), mas o festival em si foi coerente em sua escolha para a competição oficial.

Uma consequência de tantos discursos herméticos e metalinguísticos foi o rebaixamento da função dos personagens. O cinema de autor já foi identificado com os ditos "filmes de personagem", que seguem trajetórias de homens e mulheres ao longo de seus dias (vide o modelo europeu de cinema humanista, em estilo Rosetta), mas nesta seleção, a forma está claramente acima do conteúdo. Existem poucos personagens humanos marcantes nos filmes – a não ser que uma cidade ou uma ideia sejam considerados personagens – e poucos atores profissionais foram convidados a atuar nas tramas. A consequência foi vista na premiação dos longas: dos quatro prêmios disponíveis às atuações (ator, atriz, ator coadjuvante e atriz coadjuvante), apenas um foi entregue a uma atriz profissional (Dandara de Morais), e mesmo assim, em sua primeira experiência no cinema.

Um dos temas recorrentes nos filmes abordados foi a industrialização da vida moderna, enxergada de maneira crítica pelos diretores. A questão também foi tema dos clássicos apresentados, a exemplo de Macunaíma e Iracema – Uma Transa Amazônica. Mas os novos filmes em competição ainda veem nas máquinas uma fonte de estranheza. Assim, em Brasil S/A, um agricultor é substituído por máquinas assustadoras, em Ventos de Agosto, um pesquisador choca um vilarejo de catadores de coco com seus aparelhos eletrônicos, em Branco Sai Preto Fica, um homem amputado passa toda a narrativa desenvolvendo novas próteses mecânicas. Em contrapartida, para representar o conforto, Pingo d'Água abandona a tecnologia e fecha seu personagem dentro de uma velha mala de couro, em posição fetal.

Os grandes dramas do cinema de autor também desapareceram, cedendo espaço ao cinema de gênero. Com orçamento baixíssimo, os filmes arriscaram variações cômicas e criativas da ficção científica (Brasil S/A, Branco Sai Preto Fica) e dos filmes de terror (Estátua!, Loja de Répteis, Nua Por Dentro do Couro, Vento Virado), além de experiências no trash (Ventos de Agosto). Não faltaram monstros, psicopatas, animais assustadores. Mas nada de copiar a linguagem americana: ao invés de criar um disco voador, por exemplo, a equipe de Branco Sai…

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