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Cinema · · 3 min de leitura ·

Opinião: Cinema e política se misturam?

Opinião: Cinema e política se misturam?




Em época de eleições, diversos filmes políticos disputam a atenção do espectador.

Você já deve ter ouvido mais de uma vez que “cinema é diversão”, que o público entra na sala escura para esquecer os problemas, e não para pensar no mundo lá fora. Pensando assim, a política não seria tema ideal para o cinema popular – com exceção talvez das paródias. Mas nesta época de eleição presidencial, parece que as pessoas nunca discutiram tanto política. As redes sociais têm contribuído à proliferação de discursos sobre todo o tipo de ideia, com as mais imagináveis piadas, memes, mentiras, acusações, retratações. Para quem diz que brasileiro não gosta de política, talvez nunca uma eleição tenha sido tão politizada.

O cinema, obviamente, acompanhou a tendência. Vários filmes de temática política foram lançados nas salas neste período, para aproveitar a discussão de ideias e de candidatos. Isso não é novidade em um período eleitoral, mas talvez a quantidade tenha sido ainda maior nesta safra. Filmes estrangeiros como a sátira italiana Viva a Liberdade e o drama argentino O Estudante tentaram aproveitar os temas da incredulidade política e das revoltas populares entre jovens. São temas que podem encontrar eco nos nossos tempos, embora sejam essencialmente atemporais.

Mas são os filmes nacionais que refletem melhor a nossa realidade. O Mercado de Notícias alerta para as derivas da mídia em períodos eleitorais, Sobrevivi ao Holocausto relembra os tempos da ditadura no ano que o golpe militar completa 50 anos, De Menor debate a redução da maioridade penal, Sem Pena questiona o sistema carcerário, À Queima Roupa evidencia os abusos da polícia. São filmes de pequeno porte, que juntos não devem ter sido vistos por mais de 100 mil pessoas. Mas tampouco tinham essa pretensão: estes filmes ocupam um lugar necessário no circuito de arte, quando a arte e o discurso político se completam. Talvez nem todo mundo procure diversão no escurinho do cinema.

O mais surpreendente foi a presença de uma comédia popular com esse tema: O Candidato Honesto, estrelado por Leandro Hassum. Partindo de uma premissa facilmente identificável (um mentiroso que não pode mentir), o filme tentou surfar na onda crescente de pessoas que acreditam na desonestidade fundamental dos políticos. Sabe a ideia de que “político não presta, é tudo ladrão?” Pois é. Não se busca entender como o sistema político poderia ser mais transparente, mas defende-se, sem surpresas, que o eleitor escolha candidatos honestos ao invés de mentirosos (falta descobrir exatamente como detectar cada um deles).

O Candidato Honesto já atingiu 1,5 milhão de espectadores. O resultado é impressionante, principalmente pela temática, indicando não apenas que o brasileiro médio está mais aberto à temática política (mesmo que seja para detestá-la), mas também que o discurso sobre pureza e corrupção na política gerou identificação. É difícil saber se estas obras surtem algum tipo de efeito nas urnas, ou nas consciências. Será que alguém vai…

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