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Cinema · · 2 min de leitura ·

Exclusivo: Mia Hansen-Love comenta a estreia Eden, retrato da música eletrônica pelos olhos dos jovens

Exclusivo: Mia Hansen-Love comenta a estreia Eden, retrato da música eletrônica pelos olhos dos jovens




A diretora falou sobre a origem do projeto, a escolha do elenco e a diferença em relação aos outros "filmes de música".

Eden não é um filme comum sobre música, e o trailer abaixo já comprova isso. Conhecida pelos filmes intimistas, a diretora Mia Hansen-Love conseguiu levar para o mundo da música eletrônica um olhar carinhoso e melancólico. A história apresenta Paul (Félix de Givry), jovem que descobre a música garage e torna-se DJ, até perceber que não é nada fácil viver da música.

Mia Hansen-Love conversou em exclusividade com o AdoroCinema, falando sobre a origem deste projeto, escrito a quatro mãos com o irmão Sven Hansen-Love, um DJ profissional. Ela revela as grandes dificuldades de produção, comenta o trabalho com o elenco e as diferentes reações ao filme na França e no resto do mundo. Selecionado nos festivais de Toronto, Nova York e San Sebastian, Eden chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 19 de março.

Eu não vivi esse cenário de tão perto quanto o meu irmão, mas eu ouvi muita música eletrônica por causa dele, desde que eu tinha 12 ou 13 anos. Ele era um típico irmão mais velho, que me passava sugestões de música para escutar. Eu vivi essa época pelos olhos dele, através da experiência dele. Quando comecei a escrever, criando a história e os personagens, eu escrevi cada vez mais cenas pensando nessa época. No fim das contas, é o meu ponto de vista, mas está impregnado das histórias dele também. É fruto de um diálogo entre nós. 

Eden não é uma biografia clássica. Eu me senti muito livre em relação a isso, é realmente uma ficção. Meu irmão foi DJ durante 20 anos, mas não é uma “história real”, eu não fazia questão que tudo fosse fiel à realidade. O filme não é fiel aos fatos, mas eu tento ser extremamente fiel aos sentimentos da época. Eu não poderia restituir todos os fatos da vida do meu irmão. Essa é uma reinterpretação por vias de uma história.

Foi um processo longo. Nós escrevemos durante muito tempo, foram seis a dez meses de trabalho sem parar. A gente também fazia um trabalho de documentação, sempre escutando as músicas que a gente pretendia colocar na trilha sonora. A escolha da trilha sonora acompanhou o roteiro, criando um diálogo com a história.

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