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Cinema · · 3 min de leitura ·

Entrevista exclusiva: Juliano Ribeiro Salgado fala sobre as dificuldades de rodar O Sal da Terra

Entrevista exclusiva: Juliano Ribeiro Salgado fala sobre as dificuldades de rodar O Sal da Terra




Menção honrosa no Festival de Cannes, César de melhor documentário, indicações ao Independent Spirit Awards e ao Oscar, filme de abertura do Festival do Rio. Após colecionar premiações em festivais e eventos mundo afora, chegou a hora de enfim conferir O Sal da Terra nos cinemas brasileiros.

O AdoroCinema conversou com um dos diretores do longa-metragem, Juliano Ribeiro Salgado, que trouxe detalhes sobre os bastidores da produção sobre o fotógrafo Sebastião Salgado, incluindo as dificuldades existentes em fazer um filme ao lado de Wim Wenders. Confira!

Inicialmente, Juliano não queria fazer um filme sobre seu pai. "Tinha um pouco de medo e nossa relação não é tão boa. Temia viver uma relação meio Herzog e Klaus Kinski", lembrando as brigas constantes ocorridas entre o diretor Werner Herzog e o ator Klaus Kinski ao longo dos cinco trabalhos que rodaram juntos (Aguirre, a Cólera dos Deuses, Nosferatu – O Vampiro da Noite, Woyzeck, Fitzcarraldo e Cobra Verde).

Juliano revela que ter gravado os bastidores do projeto Gênesis no Pará e na Amazônia acabaram influenciando para que o filme enfim fosse feito. "Quando voltei aconteceu algo muito importante. Editei meu curta-metragem de 20 minutos [sobre o projeto Gênesis] e mostrei ao Sebastião. Quando ele viu ficou muito tocado. Era algo que revelava muito mais sobre você do que sobre a pessoa que estava sendo filmada. O Tião sabe analisar imagem, é claro, e quando viu como seu filho olhava para ele ficou muito emocionado. Eu também fiquei e isto foi importante para a gente. Foi quando percebi que o filme poderia ser o momento da verdade que teríamos juntos."

Após a decisão de rodar O Sal da Terra, Juliano teve que definir qual seria o enfoque a ser dado pelo documentário. "O Tião tinha uma experiência muito única do mundo. Ele viu muitos momentos de crise, fatos que viriam a se tornar históricos e se confrontando à humanidade das pessoas que ele ia fotografar. Ele aprendia muito com estas pessoas. Este aprendizado ele passava aos amigos e [através do cinema] poderia passar para muito mais pessoas", disse o diretor.

O relacionamento difícil com Sebastião fez com que Juliano buscasse outra pessoa para entrevistá-lo. "O Tião tinha acabado de conhecer o Wim Wenders e ficaram muito amigos, até assistiam futebol juntos. Conversei com ele sobre fazermos algo sobre o Tião e percebemos que tínhamos a mesma aflição, que as pessoas tinham muito o que aprender a partir das experiências dele. Foi assim que a gente começou."

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