Entrevista exclusiva: Daniel Filho fala sobre a nova proposta trazida pela comédia Sorria, Você Está Sendo Filmado!

Bancado inteiramente pelo diretor, o filme vai na contramão dos projetos de alto orçamento no cinema brasileiro.
Um dos diretores de maior sucesso na retomada do cinema brasileiro, Daniel Filho retorna às salas de cinema nesta semana com sua nova produção: Sorria, Você Está Sendo Filmado! Refilmagem do sérvio Morte de um Homem nos Bálcãs, o longa-metragem acompanha a reação de vizinhos e funcionários de um prédio após um morador ser encontrado morto, em seu próprio apartamento. Tudo com uma peculiaridade: a câmera simula o que é gravado por uma webcam, sem que as pessoas em cena saibam que estão sendo filmadas. Ou seja, prato cheio para que elas se revelem como realmente são.
Em um bate-papo via Skype, Daniel Filho contou ao AdoroCinema detalhes sobre a produção do longa-metragem, incluindo o inusitado processo de filmagem e o planejamento feito para reduzir drasticamente os custos. Confira!
Morte de um Homem nos Bálcãs é um filme sérvio que não passou em qualquer festival de renome nem disputou premiações conhecidas. Ainda assim, foi ele a fonte de inspiração de Daniel Filho para rodar Sorria, Você Está Sendo Filmado. Perguntamos ao diretor como ele descobriu um filme tão obscuro. "Tenho um assistente de direção, chamado Hsu Chien, que me manda filmes extraordinários. Foi ele quem me disse que tinha visto um filme feito basicamente em um plano só. Aí fui vê-lo e adorei! Logicamente, ele tinha uma graça sérvia mas tinha humor, estava tudo lá. Aí pensei que aquilo em português seria ótimo!"
Consagrado por grandes sucessos de bilheteria, como Chico Xavier e os dois Se Eu Fosse Você, Daniel Filho durante muitos anos esteve associado também a produções de grande orçamento. Com Sorria, Você Está Sendo Filmado!, ele decidiu mudar radicalmente. Deixou de lado as leis de incentivo e bancou, do próprio bolso, todo o orçamento da produção. O diretor explicou o motivo da decisão: "O seu filme faz seis milhões de espectadores e o tempo que leva para o dinheiro chegar na sua mão é impressionante! Tentei mudar isso junto com o José Padilha com uma distribuidora nova, a Nossa, que depois sumiu. Se a pessoa que faz o conteúdo é quem recebe menos, alguma coisa não está correta!"
Apesar da nova proposta, o diretor reiterou que não é contrário aos filmes feitos via leis de incentivo. "Não é que não possamos fazer, mas acho que nossa média de filme não deve ser de seis ou sete milhões de reais. Cada vez torna-se mais difícil conseguir dinheiro e complicado de conseguir a liberação diante de toda esta burocracia que está armada para pegar o dinheiro. Além disto, as janelas de distribuição estão engessadas! Então este filme não era apenas um case de produção e de distribuição, mas também de exibição. O filme entra em cartaz e eu que defino quanto tempo depois ele vai para a TV e para o streaming."
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