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Cinema · · 2 min de leitura ·

Festival de Cannes 2015: Filme morno na estreia e a primeira decepção da mostra competitiva

Festival de Cannes 2015: Filme morno na estreia e a primeira decepção da mostra competitiva




O francês La Tête Haute e o japonês Umimachi Diary foram exibidos hoje para a imprensa mundial.

Muitos ficaram surpresos quando o obscuro filme francês La Tête Haute foi selecionado para abrir o Festival de Cannes 2015, já que o evento costuma reservar a data para grandes produções que tragam (ainda) mais holofotes. Ao assisti-lo, é fácil compreender o porquê da escolha.

Dirigido pela também atriz Emmanuelle Bercot, La Tête Haute ("De Cabeça Erguida", em tradução literal) acompanha os 10 anos em que o jovem Malony (o estreante Rod Paradot, em boa atuação) precisa lidar com a juíza Florence Baque (Catherine Deneuve), devido à negligência da mãe em sua criação e, posteriormente, aos problemas por ele causados na adolescência. "Ele é um delinquente desde que começou a andar", ela diz. "Criei um monstro", complementa a mãe.

Diante deste histórico, La Tête Haute explora bastante as impressionantes explosões de raiva de seu personagem principal, algumas delas resultando em consequências bem graves. Entretanto, mais do que propriamente acompanhar Malony, a diretora está mais interessada em ressaltar o sistema francês de reabilitação de delinquentes juvenis, personificado (e humanizado) nos personagens de Deneuve e Benoît Magimel. Este é um tema onipresente ao longo de todo o caminhar de Malony e surge com força na última cena do longa-metragem, em tom de orgulho nacional.

Em entrevista concedida no Festival de Cannes, a diretora revelou que fez um longo trabalho de pesquisa antes de rodar o longa-metragem. "Fui ao tribunal de menores em Paris durante várias semanas, aos gabinetes dos juízes, vi os delinquentes serem julgados, estive em centros educativos fechados, abertos, em estabelecimentos fechados para menores. Visitei todas as estruturas que são vistas no filme."

Por mais que o sistema seja elogiável pelos esforços realizados e o caráter humanitário no tratamento dos jovens, este lado panfletário inserido no longa-metragem incomoda bastante. Apenas correto.

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