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Cinema · · 3 min de leitura ·

Olhar de Cinema 2015: Réalité é A Origem (Christopher Nolan) em versão cômica

Olhar de Cinema 2015: Réalité é A Origem (Christopher Nolan) em versão cômica




Brincadeira à parte, o longa-metragem francês Réalité (Realidade), exibido no último festival de Veneza, estreou na mostra competitiva do 4º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, com uma história (brincadeira?), que é "inception" dentro de "inception", ou seja, a inserção de uma história dentro da outra, tal qual em A Origem (cujo título original, aliás, é Inception),de Christopher Nolan – de modo a não acabar mais (o que pode ser perigoso, inclusive).

Nolan é conhecido pela seriedade (chegou a proibir os pós-créditos em O Homem de Aço, alfinetando as cenas cômicas do tipo, típicas da Marvel). Mas de sério, o longa do francês prodígio Quentin Dupieux só tem mesmo o compromisso com a criatividade.

É até difícil descrever a sinopse – ainda mais sem revelar nenhum spoiler. Mas digamos que o filme, falado em inglês/ francês, reúne quatro eixos/ personagens centrais: Reality (esse é o nome da personagem), uma menininha que fica intrigada com um estranho objeto engolido por um javali; Jason (Alain Chabat), um cinegrafista inocente, que tem uma ideia bastante… trash para seu primeiro filme como diretor; Dennis (Jon Heder), um apresentador de um programa de TV sobre culinária que não pára de se coçar; e um barbudo diretor de escola que guia um jipe militar vestido de mulher.

Na realidade (ba dum tssshhh), o universo de Dupieux (diretor de Rubber e Wrong) – também conhecido como o DJ Mr. Oizo – está muito mais próximo do de outro conterrâneo dele: Michel Gondry. Réalité combina o aspecto onírico de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças com os traços "surrealistas" de A Espuma dos Dias, se valendo da metalinguagem de Rebobine, Por Favor.

Ao longo de pouco mais de uma hora e meia de projeção, o filme tem opções melhores (pelo menos duas) de encerramento, porém, também poderia continuar ad eternum – caminho que o diretor ensaia -, fato que só reforça a originalidade do enredo. Independente de qual seria o melhor desfecho, porém, a platéia presente na sessão pouco se importou. O longa arrancou gargalhas e aplausos no final – o que é incomum (tanto a reação do público quanto a seleção de um filme de forte veia cômica) e louvável – para um festival de foco autoral.

Já o francês Mercuriales, também em disputa na categoria principal do Olhar de Cinema, parece o material bruto (não editado) de uma campanha involuntária de moda com pretensão artístico-social.

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