Olhar de Cinema 2015: Diretor apresenta visão “plástica” da violência na Colômbia

Produtor de filme premiado em Cannes, Jorge Forero compareceu ao festival paranaense para debater "Violencia".
"Quando eu comecei a pensar no filme, comecei a pensar também de que jeito a violência não tem sido representada, pelo menos na Colômbia. E pensei que [através do] o cotidiano era um jeito diferente de ver essa violência". Assim o cineasta Jorge Forero introduziu o seu longa-metragem, Violencia (Violência) – exibido no último Festival de Berlim -, em um bate papo com a plateia logo após a projeção do longa-metragem, em caráter competitivo, dentro da programação do 4º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba.
Dividido em três episódios, o filme acompanha o cotidiano de um prisioneiro (ao que tudo indica) das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) no meio da mata (a violência de guerrilha); um jovem desempregado que acaba caindo em uma armadilha (violência de estado); e o dia a dia do chefe de um grupo armado (violência paramilitar).
O que se vê na tela é a rotina (por mais simples que seja) de cada um, no tempo da ação. Uma sucessão de planos-sequência, praticamente sem diálogos, inseridos em um registro quase documental da vida dos personagens. Essa opção, Forero – produtor de El Abrazo de la Serpiente (O Abraço da Serpente), vencedor do prêmio Art Cinema da Quinzena dos Realizadores no último Festival de Cannes – explica: "representar a violência de um jeito plástico, de um jeito estético, é uma necessidade de não justificar, não julgar, e só conseguir assistir à vida cotidiana".
Ele denuncia uma grave realidade de seu país: "o estado começou a matar garotos para apresentá-los como guerrilheiros mortos em combate. Mas tem um lado da população que acha que isso… que eles [os garotos] não fazem nada, podem virar ladrões…" A solução, por mais complexa que seja, e Jorge reconhece, está "no cotidiano também: na cordialidade com o motorista de táxi, com a vendedora de loja, em ter filhos com melhores valores. É pouco a pouco. Perdoar é a coisa mais importante para fazer a mudança".
A ironia é que, apesar do título, não há conflito em Violencia, o que enfraquece o potencial impacto do filme.
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