Guillermo del Toro diz que Hollywood limita o potencial criativo de filmes de terror

Diretor de A Colina Escarlate diz que prefere causar uma mistura de medo e desconforto de maneira atmosférica do que simplesmente fazer filmes com sustos.
O diretor Guillermo del Toro afirmou que Hollywood limita o potencial criativo e artístico de filmes de terror ao investir em fórmulas repetidas e não conceder orçamentos razoáveis para os diretores. O cineasta, que dirige A Colina Escarlate, que estreia no Brasil na próxima quinta-feira (dia 15), é responsável pelo filme de fantasia e terror O Labirinto do Fauno, que se tornou um verdadeiro clássico moderno do gênero.
Ele declarou em entrevista ao site The Wrap que não segue fórmulas pre-definidas ao construir suas narrativas e que o que realmente lhe interessa é construir uma atmosfera que ajude a contar uma história: "Eu não faço filmes para serem assustadores, eu faço filmes para causarem uma sensação de desconforto. Eu já produzi filmes com sustos, mas eu prefiro dirigir filmes arrepiantes. O combustível de um filme é sua atmosfera e inspirar um sentimento de medo inexplicável mais do que qualquer coisa".
Ao ser peguntado sobre qual seria o truque para desenvolver o lado atmosférico de suas produções, o cineasta revelou seu segredo. "Eu passei toda a minha vida tentando encontrar beleza no horror e beleza no grotesco. Então acho que meu faro está em sintonia com o que acredito. Se as pessoas vão gostar ou não, isso fica a cargo das escolhas delas e de suas bagagens".
O diretor, produtor e roteirista mexicano contou que começou o projeto de A Colina Escarlate há 9 anos, depois do lançamento de O Labirinto do Fauno. Sua motivação para realizar o filme foi seu interesse por romances góticos, pois eles contém uma combinação única de "amor, morte, horror e beleza".
O filme levou tanto tempo para ser feito porque ele queria aproveitar o potencial da trama da melhor maneira possível, com o maior orçamento possível. Para isso, o cineasta teve de enfrentar algumas barreiras. "Bem, eu sabia que queria uma produção generosa. Eu não queria fazer um filme B. Eu queria que esse filme fosse bastante opulento. Ao mesmo tempo, o que pesava contra era ser um filme centrado em uma mulher, proibido para menores de idade e em um gênero que não é realizado há 45 ou 50 anos. Então não foi fácil. Todos gostaram dos personagens e todos gostaram da história, mas eles tiveram problemas quando pensaram em como poderiam vender isso e posicionar isso no mercado, o que eu acho que não deve ter sido fácil. Mas eu agradeço a Deus pela Legendary e Universal terem acreditado no filme".
Entre para comentar.