Cybercode
Adorocinema
Adorocinema
Cinema · · 2 min de leitura ·

Entrevista exclusiva: Nanni Moretti e a mistura de realidade e fantasia em Mia Madre

Entrevista exclusiva: Nanni Moretti e a mistura de realidade e fantasia em Mia Madre




Ganhador da Palma de Ouro no Festival de Cannes 2001, por O Quarto do Filho, o diretor italiano Nanni Moretti retornou à Croisette neste ano com sua nova produção, Mia Madre, que chega hoje aos cinemas brasileiros.

O AdoroCinema pôde conversar com o diretor durante a cobertura do Festival de Cannes, onde aprovou o longa-metragem. No bate-papo, ele falou sobre a escolha de uma mulher como protagonista, as dificuldades entre dirigir e atuar em um mesmo filme, a presença de John Turturro no elenco, o atual momento do cinema italiano e ainda rumores sobre uma possível aposentadoria. Confira!

"Sim, com certeza ela é meu alter ego", disse o diretor, se referindo à personagem interpretada por Margherita Buy. "No início, quando tive a ideia deste filme, não teria uma mulher como protagonista. Mas depois achei que o ponto de vista feminino combinaria com esta história."

Apesar de se ver nas telas através da personagem, Moretti descartou qualquer semelhança em relação ao relacionamento materno visto em cena. "A mãe vista no filme não tem relação com a minha, pois não pude conhecê-la. A atriz que a interpreta, Giulia Lazzarini, não é conhecida no meio do cinema, ela veio do teatro."

Em Mia Madre há várias referências ao próprio cinema, que por vezes surgem de forma lúdica. Moretti comentou sobre esta dualidade existente na narrativa. "Não queria apenas retratar a realidade de um cineasta, mas mesclá-la com sonhos e fantasias. Gosto da ideia do público não saber exatamente se o que está vendo é real ou não. Trabalhei bastante neste mix de realidades ao escrever o roteiro, durante as filmagens e também na edição. A presença do cinema é uma espécie de camada extra que muitas vezes está nos meus filmes, como acontece com o teatro em Habemus Papam."

"Como Margherita está atordoada com sua vida pessoal, há uma sensação de que o filme esteja de alguma forma relacionado com sua própria vida privada, como se fosse uma espécie de espelho. Mas diferente de sua vida real. Como ela está repleta de incertezas, queria que o filme fosse muito sólido e estruturado."

Publicidade