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Cinema · · 3 min de leitura ·

“Hoje não tem desculpa para fazer filme mal feito”, afirma Marcel Izidoro, produtor de O Diabo Mora Aqui

"Hoje não tem desculpa para fazer filme mal feito", afirma Marcel Izidoro, produtor de O Diabo Mora Aqui




A vantagem de participar de um festival como a Mostra de Tiradentes é poder encontrar, lado a lado, formas de pensamento cinematográfico completamente diferentes. Logo após o AdoroCinema conversar com Andrea Tonacci, que defende um cinema autoral, fugindo das regras de distribuição e dos moldes tradicionais de produção, conversamos como Marcel Izidoro, produtor do belo filme de terror O Diabo Mora Aqui.

O ponto de vista é bastante distinto. Pragmático, com vasta experiência nos Estados Unidos, Izidoro expõe um olhar crítico à produção brasileira, acreditando em novos modelos industriais de distribuição, voltados para o lançamento em VoD, televisão e afins, privilegiando o financiamento privado às leis de incentivo do governo. Confira a síntese deste bate-papo:

"O Diabo Mora Aqui é adaptado de uma obra transmídia chamada Urbania. Esta é a primeira adaptação desta obra, mas vamos começar a mexer com lendas urbanas e a mitologia brasileira. Fiquei doze anos pesquisando o tema. Quase ninguém escreveu sobre isso: quando você fala em mitos brasileiros, pensa no Saci, em Monteiro Lobato… Ninguém queria me dar dinheiro para o projeto, ninguém queria me apoiar. Então fiquei dez anos pesquisando até começar a fazer O Diabo Mora Aqui. Criamos uma mitologia nova, baseada nessas lendas urbanas. Ainda estamos decidindo se vamos continuar com livros, séries".

"Nós trabalhamos com duas lendas urbanas: o Negrinho do Pastoreio e o Bebê Diabo do ABC, uma lenda da região industrial de São Paulo. Alguns personagens deste filme, tanto os que morreram quanto os que sobreviveram, estarão de volta nos próximos projetos, fazendo parte de outras lendas urbanas bem conhecidas. A gente queria muito abordar questões tipicamente brasileiras, como o passado escravo e as culturas afrodescendentes. A ideia era ter um senhor de escravos, não como uma figura boazinha, mas um personagem do mal".

"A ideia era pegar algo rapidamente reconhecível, de fácil entrada, e adicionar o que é nosso. Fora do Brasil isso já funciona muito bem, mas aqui nós queremos inventar a roda. Eu dizia a toda equipe que não queria ter um filme bom por si só, e sim um filme legal. Tem cineastas autores que não desejam fazer isso. Nós pegamos uma estrutura bem clássica – jovens que só querem beber e transar, num fim de semana errado na floresta – mas colocamos um terror nosso. Não fizemos algo no estilo Zé do Caixão, com os orixás e cemitérios, nem algo tipicamente gringo. Buscamos o meio do caminho".

"Hoje, com tantos avanços tecnológicos, não tem desculpa para se fazer um filme mal feito. Pode parecer meio ríspido, mas se você não sabe filmar, tem tutorial no YouTube, tem todos os filmes para se estudar na palma da mão. O manual da câmera, a lente… Qualquer celular tem um aplicativo capaz de aplicar filtros. Acho que é preguiça mesmo. Nós não estouramos as diárias, filmamos oito horas por dia, trabalhamos como um filme profissional. Todo mundo foi pago. Eu queria que O Diabo Mora Aqui tivesse cara de…

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