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Cinema · · 3 min de leitura ·

Mostra de Tiradentes 2016: O diretor Tião explica o humor “sutil e absurdo” de Animal Político

Mostra de Tiradentes 2016: O diretor Tião explica o humor "sutil e absurdo" de Animal Político




Desde o início da 19ª Mostra de Tiradentes, um dos projetos mais aguardados era Animal Político, primeiro longa-metragem do cineasta Tião. O projeto despertava curiosidade tanto pela bela carreira do diretor com curtas-metragens, quanto pela premissa inusitada de uma vaca que experimenta uma sensação de vazio e faz uma jornada em busca de autoconhecimento. Leia a nossa crítica.

O resultado em tela gerou risos e espanto. Como se coloca uma vaca dentro de um shopping center, ou no salão do cabeleireiro? Como se constrói a personalidade de uma vaca, e de que maneira ela pode sofrer uma transformação? Tião explicou as várias facetas do filme que "vai da Sessão da Tarde a Dostoievski e Nietzsche":

Na saída da sessão, muitos espectadores se perguntavam como teria sido a experiência de filmar com a vaca na cidade.

Tião: Quando a gente pedia autorização para filmar, metade das pessoas dizia “Vocês estão doidos?” e mandava a gente embora. Outros achavam incrível, e convidavam familiares para participar, tanto em restaurante quanto lojas. A história despertava interesse. Como tem muitas cenas na rua, pedimos apoio à CTTU. Uma hora, o projeto já era conhecido na cidade, e os guardas diziam “Estava ansioso para ver, porque um colega deu apoio ontem e disse que era o filme da vaca… Então eu pedi para vir.” O mesmo ocorreu com os figurantes. Sempre foi um elemento de curiosidade.

Tião: O filme inteiro é muito difícil. A questão da vaca envolve vários níveis: a produção precisava pegá-la muito cedo, arrumar o transporte adequado, ter a autorização dos veterinários para transitar com ela. A gente só podia filmar com a vaca dois dias seguidos, senão ela ficava cansada. Cada filme é um universo diferente, é preciso entender a dinâmica deste universo. Nós também não podíamos programar muitas cenas por dia. Eram no máximo duas locações, e nossa decupagem tinha em média dois planos por locação. Num dia bom, a gente conseguia quatro planos.

Às vezes a gente queria que ela ficasse parada, ou caminhasse de um ponto ao outro, e isso poderia demorar horas. Então a gente tinha uma porção de material bruto sem importância, até aparecer uma joia. Do nada, ela fazia exatamente o que a gente queria, e dava certo. Às vezes a gente pensava que a cena seria muito demorada, e ela fazia exatamente o que a gente queria logo de cara. A gente quase duvidou: será que ela tem uma consciência? De vez em quando a equipe ainda estava preparando a cena, mas ela estava na posição certa, esperando. Fazia silêncio, ela percebia a mudança de clima e começava a agir.

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