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Cinema · · 3 min de leitura ·

Exclusivo: O diretor Aly Muritiba discute luto, sexo e vingança em Para Minha Amada Morta

Exclusivo: O diretor Aly Muritiba discute luto, sexo e vingança em Para Minha Amada Morta




Chega aos cinemas dia 31 de março o filme mais premiado do último festival de Brasília: Para Minha Amada Morta, primeiro longa-metragem dirigido por Aly Muritiba. A história gira em torno de Fernando (Fernando Alves Pinto), homem de classe média que acaba de perder a esposa. Em pleno período de luto, descobre que ela tinha um amante, e torna-se obcecado por este outro homem (Lourinelson Vladimir). Aos poucos, aproxima-se da família do rival, pronto para a possível vingança.

Durante a Mostra de Tiradentes, o AdoroCinema conversou com o inteligente cineasta, sempre disposto a discorrer sobre os vários sentidos de sua obra. Confira este bate-papo:

Desde o começo, o Para Minha Amada Morta trabalha com símbolos clássicos do luto, como as fotografias, as roupas. Como escolheu esses símbolos?

Aly Muritiba: Na verdade, todas as sociedades, em qualquer tempo histórico, de alguma forma experimentaram e experimentam o fenômeno da morte e do luto. O luto faz parte desse processo de purgação, de superar sem esquecer e seguir adiante sem necessariamente deixar para trás a pessoa que se foi. Comecei a perceber que nas mais diversas culturas, os objetos pertencentes ao morto se tornam de alguma maneira amuletos, ou objetos em que você deposita a possibilidade da rememoração, e então as reações pessoais são as mais variadas. Pensando pelo ponto de vista social, de conjunto, comumente o luto passa por objetos, por relíquias que pertenceram ao morto, e então resolvi utilizá-los, primeiro para que o processo do luto fosse vivenciado pelo espectador da mesma maneira que é vivenciado pelo personagem.

Mas eu tinha um desafio: este é um filme cuja co-protagonista está ausente o filme inteiro. A amada morta, que dá título ao filme, está ausente e eu tinha o desafio de presentificar a ausência. Como torná-la presente, sendo que eu não queria fazer flashbacks ou coisas do gênero? Os subterfúgios encontrados foram justamente o de torná-la presente através das roupas que ela usava, dos sapatos que ela usou, e a partir disso a gente vai conseguindo fazer uma ideia de quem teria sido essa mulher, ou pelo menos de quem teria sido essa mulher na superfície. Através das roupas a gente consegue mensurar qual o padrão de vida, classe social, gosto, então pelo menos superficialmente é possível imaginar quem seria aquela mulher.

Ao mesmo tempo, você escolhe símbolos que não necessariamente revelam todo seu significado. Por exemplo, existe naquele quarto uma cama de hospital, mas não se sabe muito bem o que aconteceu com ela. Você não queria deixar todas as informações claras, existe um trabalho de imaginação ativa do espectador.

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