Cine PE 2016: Curtas-metragens se destacam no primeiro dia, incluindo filme de Walter Carvalho

Jonas Bloch recebe homenagem das mãos da filha, Debora Bloch, que apareceu de surpresa.
Um festival de cinema não se faz só com filmes. Mas com aporte financeiro também. Por isso, não deixa de surpreender que a abertura da 20ª edição do Cine PE, na noite dessa segunda-feira, 2 de maio, no Cine São Luiz, tenha sido tão enxuta – ainda mais considerando a efeméride das duas décadas de existência. Assim, a noite foi iniciada com um breve videoclipe dos patrocinadores, e seguiu praticamente sem discursos – poupando o público do enfado característico do tipo de evento.
A emoção se deu quando o homenageado, o ator Jonas Bloch, com mais de quarenta longas-metragens no currículo – incluindo aí o ainda inédito Vidas Partidas, que terá sua primeira exibição, fora de competição, no festival –, recebeu o troféu das mãos da própria filha. A atriz Debora Bloch apareceu sem avisar e agradeceu a educação recebida do pai, sobretudo a noção de que “a liberdade é o maior valor, o que só é possível com democracia".
Pelas mostras competitivas de curtas-metragens (local e nacional), o que se viu foi um resgate de importantes – e não tão conhecidas – figuras do meio artístico. Primeiro, com uma produção pernambucana Não Tem Só Mandacaru, de Tauana Uchôa, um simpático documentário (cujo título é autoexplicativo) que tem como foco o destaque que a poesia mantem no pequeno munícipio de São José do Egito. O registro é um olhar jovem, que recupera o trabalho do poeta Lourival Batista, o Louro do Pajeú, um sujeito (semi)analfabeto, de tiradas tão sarcásticas quanto inteligentes, para quebrar paradigmas a respeito do sertão. O filme foi fortemente aplaudido.
Depois, foi a vez do polivalente Walter Carvalho prestar sua homenagem. Ele realizou um documentário poético, nada convencional, de 26 minutos, sobre o artista plástico Paulo Bruscky. “Paulo Bruscky “ é um segmento de uma série que se pretende levar à TV e cinema sobre artistas locais, comandados por Carvalho, Beto Brant e Claudio Assis (a cada um cabe o registro de um artista), sendo este último responsável pela direção geral.
“[O filme] Começa de maneira estranha, áspera, crespa. Não estranhem, que vai melhorando”, brincou Walter, que está na cidade para gravar Justiça, nova série de José Luiz Villamarim para a TV Globo, ao apresentar a produção. E ele tem razão. As primeiras imagens, justapostas, de Bruscky no mesmo plano, com o áudio fora de sincronia, incomodam. Mas evoluem para uma linguagem poética e tocante, que não tem a pretensão de se anunciar como tal.
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