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Cinema · · 3 min de leitura ·

Quem está certo em Capitão América: Guerra Civil, Steve Rogers ou Tony Stark?

Quem está certo em Capitão América: Guerra Civil, Steve Rogers ou Tony Stark?




Homem de Ferro se rende à regulação, mas também à burocracia. Capitão América crê numa liberdade excessiva — porém, visando à eficiência para combater e servir. De que lado você está?

Grandes filmes têm a capacidade de ir muito além de seu escopo, sua trama, e refletir (sobre) o mundo em que vivemos. O mesmo vale para blockbusters de super-heróis. Considerado um dos maiores do subgênero, Batman – O Cavaleiro das Trevas, por exemplo, antecipou em anos a discussão ética sobre vigilância global deflagrada por Edward Snowden.

A premissa por trás da rixa entre Steve Rogers (Chris Evans) e Tony Stark (Robert Downey Jr.) é uma verdadeira guerra ideológica. Capitão América 3 não se propõe a se aprofundar no assunto; são muitos personagens importantes, super-heróis, e um grande conflito a ser travado — não há tempo. Porém, a simples apresentação do tema é feita com tanta eficiência que já acendeu debates bem interessantes a respeito do assunto. Assim, fica a pergunta: qual Vingador estaria certo?

A primeira reação é se posicionar contra Tony Stark. Os eventos de Os Vingadores, Homem de Ferro 3 e Vingadores: Era de Ultron evidenciam traumas e motivações pessoais para ele apoiar a intervenção do governo. Ele sente o peso de cada vida que se perde quando Os Avengers entram em ação. Porém, não há como negar a validade de sua posição. Tony, afinal, foi quem teve a maturidade de estabelecer um diálogo com a Organização das Nações Unidas (ONU) e respeitar um tratado assinado por 117 países.

O Capitão América erra em nem considerar o registro. Se assim fizesse, poderia entrar num acordo mais amigável. Mas o contexto não ajuda: o governo escolhe seu amigo Bucky (Sebastian Stan), vítima de uma organização criminosa que transformou-o numa arma (o Soldado Invernal), como bode expiatório; um primeiro alvo do registro. E a posição de Steve Rogers já era bem sólida: para ele, atender a um governo superior aumentaria a burocracia em momentos que demandam urgência. O vilão, assim, ficaria sempre (mais) à frente.

De um lado, portanto, temos no Homem de Ferro uma visão mais condizente com a realidade. De fato, nenhuma organização militar deve ter o direito de entrar em países e intervir em causas de segurança nacional à revelia. Nesse contexto, o mais sensato é que os Vingadores prestem contas ao Estado. A questão é: até que ponto é cabível firmar o pé apenas no mundo real ao pensar numa obra de fantasia?

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