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Cinema · · 2 min de leitura ·

Festival Guarnicê 2016: Questões sociais, ideias libertárias e tensões raciais marcam a última (e melhor) noite

Festival Guarnicê 2016: Questões sociais, ideias libertárias e tensões raciais marcam a última (e melhor) noite




Lendária atriz e diretora, Helena Ignez apresentou seu longa-metragem mais recente, Ralé, que encerrou a mostra competitiva: "É um filme sobre minorias e sobre inclusão, um filme político". Altíssimo nível de qualidade dos curtas foi destaque.

A última noite de sessões da mostra competitiva do 39º Festival Guarnicê de Cinema, na sexta-feira (10), foi também a mais instigante de todas até aqui. O alto nível de qualidade fílmica e narrativa dos curtas-metragens e o filme-ensaio Ralé, de Helena Ignez, marcaram as projeções. No geral, os curtas e o longa exibidos foram os mais aplaudidos pelo público desta edição do festival.

Chamada ao palco para apresentar Ralé, Ignez agradeceu a gentileza da produção do festival maranhense e salientou suas raízes no nordeste do Brasil. "Somos primos. O filme é paulista, mas eu sou nordestina, eu sou de Salvador".

Helena, ícone do cinema marginal graças a filmes como Copacabana Mon Amour, A Mulher de Todos e O Bandido da Luz Vermelha, revisita a transgressão que marcou a produtora Belair nos anos 70 em Ralé. "É um filme sobre minorias e sobre inclusão, um filme político. É um filme que fala de um monte de coisas. É um filme dentro de um filme e é um filme de amor", explicou a cineasta.

A diretora também dedidicou a sessão do dia aos curta-metragistas, "que estão fazendo cinema do presente e do futuro", e à memória do "mestre extraordinário, fora de série" Rogério Sganzerla, diretor com quem foi casada até a morte dele, no ano de 2004.

Incorporando um dos acontecimentos recentes mais vivos na memória coletiva nacional, o curta Tem Alguém Feliz em Algum Lugar (RJ) se passa no dia em que o Brasil foi eliminado da Copa do Mundo de 2014, quando sofreu a humilhante goleada de 7 a 1 para a Alemanha. Nesse dia de drama coletivo, um drama particular se estabelece na relação entre o deficiente auditivo Miguel e com a reservada Elisa, condômina do prédio em que o rapaz trabalhava até ser demitido na manhã do fatídico dia.

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