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Cinema · · 2 min de leitura ·

Cine Ceará 2016: Discurso e imagem conflitam no monótono Epitafio

Cine Ceará 2016: Discurso e imagem conflitam no monótono Epitafio




USP 7% se destaca como o mais tradicional e melhor curta-metragem dentre os quatro filmes em competição exibidos na segunda noite.

A verossimilhança é um tema bastante discutido, até polêmico, no cinema. De Alfred Hitchcock, que zombava de quem o criticava falseando ainda mais a "realidade" de seus filmes, a Christopher Nolan, questionado pelo tom realista de algo essencialmente fantasioso como o Batman, o assunto vai e volta, em direções distintas, analisado como algo a ser adotado (ou não) segundo uma regra. Tremenda besteira.

O grande problema acontece quando discurso e imagem conflitam involuntariamente, confundindo o espectador. Como é o caso do irregular filme mexicano Epitafio.

Em 1519, três homens do exército do conquistador espanhol Hernán Cortés rumam ao grande vulcão Popocatepetl, no México, em busca de enxofre (ingrediente necessário para a produção de pólvora negra, por exemplo). O enérgico Diego de Ordaz (Xabier Coronado) conduz a expedição com apenas dois comandados: o fiel Gonzalo (Martín Román) e o frágil Pedrito (Carlos Triviño). A viagem irá se mostrando um caminho sem volta, com questões como coragem, determinação, fé e religião fazendo jus ao status de épico minimalista do filme.

Rubén Imaz e Yulene Olaizola têm, assim, um material interessantíssimo em mãos. Em vez de grandes batalhas, os desbravadores têm como principal desafio a natureza, representada na barreira física da montanha e no frio rigoroso que marcará a subida, e em suas crenças próprias (em si e no metafísico). A missão debilita Gonzalo e Pedrito, mas revela uma força estranha em Diego. Sua valentia se confunde à loucura, e revela a intenção dos realizadores: desmistificar a imagem de seus heróis. Quando Gonzalo se questiona sobre os povos que massacrou, o cristão fervoroso Diego atribui seus feitos a Deus. A sacralização de atrocidades — uma marca na História das Américas.

Diego de Ordaz se expressa em tom declamatório. Sua afetação revela a falsidade de seu discurso. Se não um hipócrita, um insano. O recado é bem dado. Mas o truque se torna problemático pois o que se diz não representa o que se vê. Pedrito sente dor nos pés, que estão intactos. Os calçados e as roupas deles são limpos e novos, com detalhes em metal brilhosos. Tão perfeitos como as mãos dos personagens, sem machucados e pouco sujas. Se a montanha fosse substituída por um tablado, não faria a menor diferença.

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