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Cinema · · 3 min de leitura ·

Orange Is the New Black: Samira Wiley comenta as repercussões da quarta temporada

Orange Is the New Black: Samira Wiley comenta as repercussões da quarta temporada




"Se preparem — com lenços", recomendou a atriz Samira Wiley antes da estreia da quarta temporada de Orange Is the New Black. A intérprete de Poussey Washington já sabia há mais de um ano qual era o destino da sua personagem no quarto ano da elogiada comédia dramática da Netflix, e precisou guardar a informação para si durante todo este tempo. Nem mesmo suas colegas de elenco sabiam o que aconteceria antes da gravação.

O penúltimo episódio, intitulado "The Animals", foi dirigido por Matthew Weiner – o criador de Mad Men, e segundo Wiley a gravação teve clima de despedida. "Havia alguns rostos que eu não tinha visto em muito tempo, e pareceu uma despedida de verdade ao ter todos na mesma sala juntos. Muitos [dos membros do elenco] estavam mesmo de luto naquele dia", contou a atriz em entrevista ao The Hollywood Reporter.

A morte de Poussey de uma certa forma remete aos movimentos Black Likes Matter e I Can't Breathe, e reproduz a polêmica morte de Eric Garner pela Polícia de Nova York em 2014, que aconteceu sob circunstâncias extremamente parecidas com a da personagem. O jovem faleceu por estrangulamento enquanto estava sendo preso em um movimento extremamente rápido que acabou o sufocando.

"Há pessoas que estão assistindo TV que podem não ter um relacionamento mais íntimo com o Black Lives Matter, mas elas conhecem Poussey. O que eu tenho lido na internet são pessoas profundamente tristes, algo que elas não conseguem esquecer. E isso é exatamente o que Jenji [Kohan] quer, que as pessoas sintam, ela quer que as pessoas não sejam capazes de deixar isso para trás."

A morte de Poussey de fato deixou um rastro de pessoas devastadas. A partida da personagem pegou os fãs de surpresa, e para Samira, a decisão de abordar o tema com esta personagem tem justamente o objetivo de causar maior empatia.

"Eu ouvi de alguns roteiristas que eles não poderiam fazer isso com qualquer personagem. Que precisava ser alguém que as pessoas amavam e com quem se importavam — sinto muito. Poussey vem de uma família amada, as pessoas se importavam com ela, e até a sexualidade dela foi abraçada pelo pai. E assim como muitos jovens, ela acabou caindo nas coisas erradas. Mas a sua vontade e o seu potencial de fazer alguma coisa dela mesma, e tirar essa parte dela — é um elemento muito poderoso da televisão", contou ao New York Times.

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