“O Roubo da Taça é uma comédia sobre gente torta tentando acertar”, afirma o diretor Caíto Ortiz (Exclusivo)

Em 1983, a taça Jules Rimet, símbolo da hegemonia brasileira no futebol, foi roubada da CBF por dois bandidos inexperientes. O caso foi marcado por erros inacreditáveis: a segurança do prédio falhou, o vidro a prova de balas era preso por uma moldura frágil, a taça real foi colocada à mostra enquanto a réplica ficou guardada num cofre… Além disso, o precioso objeto acabou justamente nas mãos de um argentino.
É uma história um tanto absurda, mas como diz o trailer de O Roubo da Taça, "uma boa parte disso realmente aconteceu". Inspirado nas comédias italianas, o diretor Caíto Ortiz criou uma divertida comédia de erros, cheia de "gente torta tentando acertar".
Leia a nossa crítica, e descubra abaixo nossa conversa exclusiva com o diretor. A comédia estreia dia 8 de setembro nos cinemas.
Caíto Ortiz: Você sabe que não são tantas liberdades assim? Quando você assiste ao filme, ele é tão maluco que parece que está tomando muitas liberdades. Mas esquecendo o tom bem acima do realismo, os grandes eventos do filme são verdadeiros. O cara deve uma grana e tem a ideia genial de roubar a réplica, que também é de ouro, porque era fácil, não tinha segurança. A liberdade que tomamos foi essa: o mentor real do crime não foi até o roubo, ele enviou dois amigos, bandidos pé de chinelo. Para o filme, achamos melhor fundir os bandidos em um e colocar o Paulo Tiefenthaler na cena do crime.
Também existe a personagem da Dolores (Taís Araújo), porque o Peralta real não tinha uma mulher. A gente queria que a Dolores costurasse a história toda, então usamos um truque antigo, fazendo com que ela fosse nossa narradora e unisse uma história que parece ser sobre futebol, mas não é. É um filme sobre um monte de gente torta tentando acertar.
Caíto Ortiz: A história real, ou a versão oficial, é de que a taça foi derretida pelo comprador que só foi preso anos depois. Os caras que roubaram foram presos rapidamente, mas eles já tinham vendido a taça. O comprador só foi pego anos depois, por causa de uma relação com o tráfico de drogas. Ele disse que derreteu, mas nunca existiu uma prova disso. A gente achou que seria divertido ter um final diferente do que nos contam. Lutamos com vários finais até chegar nesse desfecho que prefiro não estragar agora!
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