O Silêncio do Céu: Diretor Marco Dutra conta como se preparou para adaptar o livro de suspense (Exclusivo)

Um dos melhores filmes no 44º Festival de Gramado foi o suspense nacional O Silêncio do Céu, dirigido por Marco Dutra. Adaptado do romance "Era El Cielo", o filme traz a história de Diana (Carolina Dieckmann), uma mulher estuprada em sua própria casa. O marido Mario (Leonardo Sbaraglia) flagra a cena, mas não consegue impedi-la. A partir deste momento, ambos vivem no silêncio: ela não fala para ninguém da agressão que sofreu, nem ele admite sua impotência diante da situação.
O conteúdo é pesado, mas fascinante pelas atitudes controversas que os personagens passam a tomar. Nós conversamos Marco Dutra (Trabalhar Cansa, Quando Eu Era Vivo) sobre esse novo trabalho. Ele explicou as dificuldades de adaptar o livro e filmar a cena de estupro, e justificou suas escolhas de elenco.
Muitas pessoas costumam exigir das adaptações de livros que sejam fiéis ao original. Qual seria a responsabilidade de O Silêncio do Céu em relação ao material de origem?
Marco Dutra: Neste filme eu estou muito protegido, porque a adaptação foi feita pelo próprio Sérgio Bizzio [autor do livro] e pela Lucía Puenzo, que é casada com ele, grande diretora, roteirista e tal. O Sérgio Bizzio também já fez roteiros, inclusive dirigiu um filme.
Foi um processo engraçado, porque li o roteiro antes de ler o livro. Fui convidado pelo Rodrigo [Teixeira, produtor] com uma versão do roteiro pronta, e falei: “É óbvio que quero ler esse livro”. Eles foram muito espertos na adaptação porque é um livro complexo de estrutura e de tom. É um livro em primeira pessoa, ou seja, muito caudaloso, de fluxo de consciência, o que já é uma dificuldade. O personagem fica revivendo experiências do casal, experiências que ele teve com outras mulheres enquanto estavam separados.
Existe muita memória no filme, e o roteiro, por tradição, tem uma linguagem concisa, você tem que ir no “x” da questão. A proposta de adaptação deles foi de começar como o livro começa, ou seja, com o estupro, e deixar isso ser o assunto central do filme ao invés da memória. Por isso, a estrutura foi ideia deles. Já estava no roteiro de cara, depois fui melhorando o roteiro com eles.
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