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Cinema · · 2 min de leitura ·

Festival de Brasília 2016: Noite de protesto inusitado, ótimos curtas e longas decepcionantes

Festival de Brasília 2016: Noite de protesto inusitado, ótimos curtas e longas decepcionantes




Desde o primeiro dia, o Festival de Brasília tem sido palco de acalorados protestos, do onipresente "fora Temer" a críticas ao finado governo de Dilma Rousseff. Neste domingo, algo inusitado aconteceu: o diretor Cláudio Assis, três vezes vencedor do Festival de Brasília – Amarelo Manga, Baixio das Bestas e Big Jato -, repentinamente subiu ao palco para protestar contra o jornalista Marcos Petrucelli.

"Abaixo Petrucelli! Abaixo a censura!", bradou o diretor, como você pode conferir no snapchat do AdoroCinema (@adorocinema). Por mais que a organização do Festival de Brasília rapidamente tenha aumentado a música-tema do evento e desligado o microfone de Assis, a iniciativa logo ganhou o apoio de parte do público presente.

Os protestos contra Petrucelli têm a ver com a seleção de Pequeno Segredo para representar o Brasil no Oscar 2017 de melhor filme estrangeiro, derrotando Aquarius. Convidado a integrar o comitê de seleção, sua presença foi bastante questionada pelo fato de ter feito críticas nas redes sociais ao diretor Kleber Mendonça Filho, quando Aquarius foi exibido no Festival de Cannes.

Em sua página no Facebook, o jornalista fez um breve comentário sobre os protestos do público, que têm surgido já há alguns dias nas sessões noturnas do evento.

No Festival de Brasília, são exibidos um ou dois curtas antes de cada longa-metragem da mostra competitiva. Até então, o nível apresentado era de regular para baixo – com exceção do bom Estado Itinerante, muito graças à bela atuação de Lira Ribas. Pois neste domingo, de uma só tacada, foram exibidos os três melhores curtas da seleção (até agora). E um deles é também o melhor filme de todo o Festival de Brasília!

O primeiro deles foi Procura-se Irenice, dirigido por Marco Escrivão e Thiago B. Mendonça, que integra o projeto Memória do Esporte Olímpico, patrocinado pelo canal ESPN. De fundo jornalístico, o documentário investiga a história por trás de Irenice Maria Rodrigues, atleta negra dos 800m que, durante as Olimpíadas do México (1968), foi obrigada a retornar ao país sem competir como retaliação da ditadura militar. Bastante incisivo, o curta desvenda como Irenice foi prejudicada, não apenas na carreira mas também em sua vida pessoal, e teve sua trajetória "apagada" do registro do esporte nacional, para que não servisse de "exemplo de insubordinação".

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