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Cinema · · 3 min de leitura ·

Festival do Rio 2016: Nelson Xavier e Erico Rassi falam sobre o “western” do centro-oeste Comeback

Festival do Rio 2016: Nelson Xavier e Erico Rassi falam sobre o "western" do centro-oeste Comeback




Filme aborda a rotina solitária de um pistoleiro idoso e saudosista que deseja voltar a matar.

O longa-metragem de estreia de Erico Rassi, que também assina o roteiro, foi exibido na tarde desta segunda-feira (10) no Cine Odeon, no centro do Rio de Janeiro. A sessão especial contou com a presença da equipe responsável pela produção do filme e dos atores Nelson Xavier e Marcos de Andrade.

Com mais de 50 anos de carreira e presença em obras fundamentais na sétima arte brasileira como Dona Flor e Seus Dois Maridos, Vai Trabalhar, Vagabundo e A Queda, Nelson Xavier interpreta Amaro, um ex-pistoleiro idoso que vive sozinho numa cidade do interior de Goiás lembrando de seus dias de glória como matador de aluguel. Saudoso dos dias em que Anápolis era "Terra de Marlboro", Amador trabalha numa função que considera inglória demais: Ir de bar em bar recolhendo o dinheiro que lhe é devido nas máquinas de caça-níquel. Ao menos ele segue às margens da lei.

Em um álbum de fotografias, o personagem não guarda retratos de seus familiares, mas sim recortes de jornais que destacam os crimes que já cometeu no passado, incluindo uma infame chacina num restaurante da região. Há ainda em sua coleção pessoal o registro em VHS de uma reportagem televisiva sobre uma matança que cometeu. Sem remorsos e sem arrependimentos, Amador tem seu próprio código de valores e busca "fazer um comeback" à vida de mercenário, apesar da visão já fraquejar e da última pistola de seu arsenal estar defeituosa.

"O que me encantou nesse roteiro foi exatamente esse toque único, que representa o Brasil. Nós somos uma coisa periférica no sistema capitalista. Nós somos uma sociedade periférica, de massa, de consumo dirigido. Nós somos essa coisa perdida no arrabalde do sistema. Esse personagem simboliza isso querendo ser maior [do que é]. Querendo uma glória que ele não tem mais", avaliou Nelson Xavier em conversa com o público após a sessão de Comeback no Odeon. "Esse personagem usa elementos, usa valores como se fossem legítimos sendo que ele está lidando com a morte das pessoas. Essa contradição, esse paradoxo, para mim, é extraordinário. 'Ah, mato ou não mato?' Pra ele é uma coisa banal. A vida humana é banal, como é no Brasil, como é a ética brasileira", completou o astro do filme, que apesar de tratar de questões tão intrínsecas ao país tem um títiulo em inglês, em entrevista posterior ao AdoroCinema.

A trama do longa-metragem, que também pode ser encarada como um tratado sobre a solidão e a nostalgia na terceira idade, partiu de duas ideias distintas do diretor. Enquanto produzia um roteiro para um drama sobre um pistoleiro, Rassi filmava um documentário sobre Walfrido Rodrigues dos Santos, o Carne Frita, tido como o maior jogador de sinuca do Brasil em todos os tempos. Assim como Amador, o jogador que foi invencível por mais de 20 anos se sentiu relegado ao ostracismo na velhice. "O roteiro é baseado num personagem que exemplifica outros personagens: O Carne Frita, que é um ex-jogador de…

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