Mostra de São Paulo 2016: Diretor fala sobre como foi trabalhar com Anton Yelchin em um de seus últimos filmes

Conversamos com o diretor Gabe Klinger, de Porto, destaque na Mostra de São Paulo.
Destaque na Mostra de São Paulo 2016, Porto conta a história de um casal que se conhece numa cidade estrangeira e vive um romance intenso e imediato, no melhor estilo Antes do Amanhecer. O AdoroCinema conferiu o filme durante o evento e pôde conversar com o jovem diretor Gabe Klinger. Nascido no Brasil, mas criado nos Estados Unidos, ele admitiu a influência do filme de Richard Linklater e falou sobre como foi trabalhar com Anton Yelchin, protagonista da produção que faleceu no último mês de junho.
"Nasci em São Paulo. Meus pais e avós são brasileiros. Meu pai trabalhou em propaganda a vida inteira. Numa certa altura da sua carreira foi trabalhar nos Estados Unidos, em Chicago, e nos levou para lá. Depois moramos também em Barcelona. Lembro que cada vez que mudamos me sentia muito solitário. Precisava fazer novos amigos e aprender novos idiomas. Então comecei a ver muito cinema, ir ao cinema… Sozinho. Fiz amizade com o cinema. Foi ai que nasceu o amor pelo cinema", falou Gabe sobre sua origem.
Ele fez sua estreia nos cinemas com o documentário Double Play, sobre Richard Linklater. A referência a trilogia Antes do Amanhecer, assim, é óbvia. "Acho que o primeiro filme me influenciou muito. Tem um certo romanticismo puro. Hoje em dia, o Jesse e Celine iam se adicionar no Facebook e mandar fotos durante um ano antes do seu próximo encontro. A realidade do Antes do Amanhecer já não existe. No mundo dos meios sociais, já não pode existir este tipo de filme. Então acho muito interessante neste sentido o filme do Linklater, porque parece o último de uma certa linha que começa com os filmes do Borzage e Murnau… e passa pelo David Lean, o Leo McCarey, e muitos outros", explicou.
Sobre o trabalho com Yelchin, o diretor destacou que tem sido um processo estranho e triste lançar o filme sem ele. "Ele era muito cinéfilo, então conversávamos muito sobre influências cinematográficas. Assistíamos muitos filmes da época do cinema mudo, porque ele gostava e eu gosto muito dos atores expressionistas de Hollywood: Lon Cheney, Sr., Valentino, Fairbanks, Peter Lorre… muitos outros. Também víamos filmes com o Jean-Pierre Leaud e o Robert de Niro (no inicio da sua carreira). Conversamos sobre o personagem dele durante quase dois anos. No final do processo, não era só o meu colaborador, era um dos meus melhores amigos. Escrevemos um roteiro juntos que ainda estou pensando em produzir", lembrou Gabe.
Além de Linklater, o diretor tem uma boa relação com outro ícone do cinema independente americano: Jim Jarmusch, que é produtor de Porto. "Trabalhar com o Jim foi um grande luxo. No nosso caso foi preciso ter alguém como ele para abrir certas portas. Ele foi o primeiro que me falou que eu tinha que realizar o projeto, ele meu deu a confiança que eu precisava para continuar. Ele me apresentou a várias pessoas e leu várias versões do roteiro… sempre muito fiel, muito ativo, muito inspirador",…
Entre para comentar.