Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 25 de maio de 2020 · 2 min de leitura ·

Cientistas explicam por que os blocos necessários à vida são canhotos

Cientistas explicam por que os blocos necessários à vida são canhotos

O que você precisa saber

A vida na Terra tem uma propriedade curiosa, chamada homoquiralidade. Simplificando, ela é a preferência por uma orientação à esquerda (canhota) ou à direita (destra), que pode ser vista desde a espiral nas conchas dos caracóis e aminoácidos essenciais à vida (ambos canhotos) até nosso DNA (destro).

Os cientistas acreditam que a quiralidade é um requisito para a origem da vida, mas não conseguem explicar como ela surgiu. Se criarmos aminoácidos e açúcares em laboratório, o resultado é uma mistura igual de formas destras e canhotas. Então por que moléculas de origem biológica têm uma preferência?

Dois pesquisadores propõem uma explicação para o fenômeno: o bombardeio de nossa atmosfera por raios cósmicos, partículas de alta energia que viajam pelo espaço quase que à velocidade da luz.

“Propomos que a preferência biológica que testemunhamos agora na Terra se deva à evolução em meio à radiação magneticamente polarizada, onde uma pequena diferença na taxa de mutação pode ter promovido a evolução da vida baseada no DNA, em vez de sua imagem espelhada”, explicou a astrofísica de energia Noémie Globus, que na época da pesquisa era pesquisadora visitante do Instituto Kavli da Universidade de Stanford para Astrofísica e Cosmologia de Partículas.

Raios cósmicos aceleram a taxa de mutação celular de organismos vivos. Nossa atmosfera filtra boa parte desta radiação, e o que passa é decomposto em partículas elementares como os múons, que são similares aos elétrons.

Múons tem um tempo de vida de 2,2 microssegundos, e podem penetrar algumas centenas de metros no solo antes de se decompor em elétrons. Tanto os múons, quanto os elétrons nos quais eles se decompõem, são polarizados magneticamente em uma direção.

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