Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 26 de maio de 2020 · 2 min de leitura ·

Anomalia no campo magnético da Terra pode estar se dividindo; entenda

Anomalia no campo magnético da Terra pode estar se dividindo; entenda

O que você precisa saber

Novos dados dos satélites Swarm, da Agência Espacial Europeia (ESA), apontam que a “Anomalia do Atlântico Sul” está se dividindo em dois núcleos, segundo artigo publicado pela instituição.

A anomalia caracteriza uma região localizada entre a costa do continente africano e a América do Sul em que o campo magnético terrestre é especialmente fraco. O fenômeno é associado por cientistas ao enfraquecimento do campo magnético global que, segundo sugerem estudos recentes, deve resultar no deslocamento dos polos magnéticos da Terra.

As implicações dessa mudança, no entanto, ainda são pouco claras para a ciência. Sabe-se que o campo magnético da Terra funciona como uma espécie de escudo de proteção contra tempestades solares e radiação cósmica. Sua origem é associada ao fluxo de materiais no núcleo do planeta. Pesquisas anteriores apontam que a inversão dos polos terrestres é um evento periódico, que ocorre a cada 250 mil anos, aproximadamente.

Representação das duas células da anomalia do Atlântico Sul detectadas pelos satélites da ESA. Imagem: DTU/ESA

De acordo com a ESA, o campo magnético terrestre enfraqueceu cerca de 9% durante os últimos 200 anos. De 1970 a 2020, a força do fenômeno decaiu de aproximadamente 24 mil nanoteslas para 22 mil nanoteslas, no mesmo período o total da área abrangida pela ‘Anomalia do Atlântico Sul’ cresceu e se deslocou para o oeste em um ritmo de 20 quilômetros por ano. Alguns cientistas sugerem que a anomalia pode ser provocada por uma vasto reservatório de rocha densa sob a África.

A agência pontua que, no presente, a disrupção do campo magnético não oferece grandes ameaças para a humanidade. O principal efeito é a interferência no funcionamento de satélites e outras espaçonaves na órbita inferior terrestre (LEO), que podem ser expostos a um grande volume de partículas carregadas de radiação ao passar, principalmente, pela área afetada pela Anomalia do Atlântico Sul.

Compartilhe