Gilmore Girls: Um Ano Para Recordar é um presente para os fãs de Rory e Lorelai (crítica)

Parafraseando Jane Austen, é uma verdade universalmente reconhecida que a sétima temporada de Gilmore Girls não é a preferida dos fãs. Esse foi o único ano em que a série nao esteve sob o comando de Amy Sherman-Palladino e o final do show foi apressado, devido ao cancelamento. Anos depois, graças ao amor dos fãs e ao apoio da Netflix, a criadora teve a chance de continuar a história de Rory (Alexis Bledel) e Lorelai (Lauren Graham) do jeito que desejava. E o saldo é bem positivo.
Ao contrário de outros revivals da moda atual, Gilmore Girls: Um Ano Para Recordar não se apoia somente na nostalgia dos famosos personagens para construir o show. Com o formato de 90 minutos por episódio, Sherman-Palladino prova que ainda há histórias para contar, ao mesmo tempo que consegue resgatar toda a beleza e excentricidade de Stars Hollow.
Dividida em quatro episódios, a continuação é ambientada nove anos após o final da série original. Lorelai passa por uma espécie de "crise de meia-idade", a carreira profssional de Rory não caminha da forma esperada e Emily (Kelly Bishop) está perdida após a morte do marido, Richard (Edward Herrmann). Inclusive, a ausência do saudoso ator (que faleceu em dezembro de 2014 por causa de um câncer cérebral) compõe parte essencial da trama, numa bela homenagem.
Tirando isso, é seguro dizer que 99% dos personagens de Gilmore Girls retornam para esse novo "passeio" por Stars Hollow. Infelizmente, alguns são ofuscados pela trama principal, enquanto outros só aparecem em participações especiais que nem sempre se encaixam com a narrativa, porém devem agradar os fas nostálgicos.
Mas tudo bem. Apesar de algumas decisões pouco criativas, as histórias do trio de protagonistas são pertinentes, causando empatia e identificação com o público. Inclusive o dilema de Lorelai, que, à primeira vista, parece estranho, mas se transforma numa jornada de autoconhecimento. Lauren Graham consegue reencarnar todo o charme de sua icônica personagem e transmitir todos os sentimentos dela, seja em olhares emocionantes, rápidos diálogos ou expressões divertidas.
Já Alexis Bledel tem um trabalho difícil, pois a Rory de agora é bem diferente da doce menina do piloto de Gilmore Girls. É uma adulta complexa que nem sempre toma decisões certinhas – algo críticado por muitos espectadores na série original. (Acredite, a vida amorosa de Rory será uma das coisas mais surpreendentes deste revival.) Dessa vez, a atriz consegue fazer uma transição bem mais agradável entre essas diferenças e entrega uma personagem sólida. Por outro lado, Kelly Bishop segue roubando cenas e apresenta uma Emily nunca vista antes pelo público. Se já foi singular ver a dondoca usando jeans no trailer, tem cenas nesta continuação que vão pirar os fãs.
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