Desventuras em Série: Confira nossa crítica da primeira temporada da série

E não era mesmo. Muito fiel aos livros de Lemony Snicket (pseudônimo de Daniel Handler), a série é bastante sombria e consegue unir bem os elementos do suspense e da comédia. Sim, há bastante humor na produção, principalmente no que diz respeito ao absurdo, afinal traz um personagem que se disfarça de diferentes tipos e que consegue enganar muitos com isso. Mas não as crianças.
Chegamos então ao ponto alto da série, as crianças. É claro que o principal chamariz é Neil Patrick Harris, irretocável na pele do Conde Olaf, mas o foco está em Violet, Klaus e Sunny Baudelaire. A última, vivida por Presley Smith, é um bebê, cuja função é basicamente ser adorável. Um dos elementos mais divertidos da produção acabam sendo os sons emitidos pela bebê, que são traduzidos com legendas excelentes e por vezes bem complexas. Mas os destaques são mesmo os dois irmãos mais velhos, interpretados por Malina Weissman e Louis Hynes, que lembram muito Emily Browning e Liam Aiken, que viveram Violet e Klaus no filme de 2004. NPH, no entanto, oferece um Olaf diferente do de Jim Carrey, um pouco mais sombrio e violento.
Outro personagem fundamental para a história é Lemony Snicket. Embora não tenhamos todas as respostas sobre ele na primeira temporada, Lemony surge como um narrador muito participativo e envolvente. Patrick Warburton entrega uma narração incrível, aparecendo inúmeras vezes em cena, sempre quebrando a quarta parede e conversando diretamente com o espectador. Mais do que dar base a história, a narração apresenta funções opinativas e até informativas, como no momento em que explica a diferença entre literal e figurado. Oferece frase maravilhosas, como "o alegado entretenimento que está assistindo é lamentavelmente desagradável" ou "não é porque você não entende que não faz sentido."
A trama gira em torno de Violet, Klaus e Sunny, três jovens de uma boa família que recebem a notícia que seus pais morreram em um incêndio que destruiu sua casa. Eles, então, são obrigados a mudar para a casa do parente mais próximo, no caso o Conde Olaf, um ator fracassado que não pode esperar para colocar as mãos na herança dos órfãos. Após ter seu plano revelado, Olaf acaba perdendo a guarda das crianças, que passam a pular de casa em casa, sempre encontrando figuras inusitadas, como o especialista em répteis Monty (Aasif Mandvi) ou a fanática por gramática Josephine (Alfre Woodard). Por cada lugar que aparecem, as crianças são seguidas por Olaf, sempre com um disfarce ridículo, que engana os adultos, mas não o trio.
Além do grande elenco, que conta ainda com K. Todd Freeman, Don Johnson, Joan Cusack e Catherine O'Hara – e duas participações especiais surpresas de atores bem conhecidos -, a série oferece um trabalho técnico realmente extraordinário, especialmente no que diz respeito ao design de produção, os cenários, o figurino e a maquiagem. A fotografia do francês Bernard Couture também deve ser ressaltada, investindo num tom cinzento que só reforça o ambiente sombrio. A trilha…
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