“Eu ouvi assim:

Junto com Helena Ignez, outra homenageada da mostra deste ano, Leal falou sobre o documentário Divinas Divas, discutiu machismo na indústria do audiovisual no Brasil e deu conselhos para quem quer começar a fazer cinema.
Após serem homenageadas na abertura da 20ª Mostra de Cinema de Tiradentes, as atrizes e diretoras Leandra Leal e Helena Ignez participaram de uma conversa com a imprensa onde falaram sobre suas carreiras, seus trabalhos recentes e sobre a mulher no audiovisual.
Durante a coletiva, Leal falou bastante sobre o documentário Divinas Divas, longa-metragem que foi sua estreia na direção e foi selecionado como filme de abertura da mostra. Ela explica que o filme levou sete anos para ficar pronto por ter sido difícil encontrar quem aceitasse patrocinar um filme sobre um coletivo de artistas travestis.
"Fui super difícil levantar recursos para o filme. O Divinas Divas encontrou muita resistência para conseguir captação", contou Leal sobre o documentário premiado no Festival do Rio que acompanha o reencontro de oito transformistas que foram pioneiras no mundo do teatro entre as décadas de 60 e 70 e alcançaram o estrelato questionando uma série estereótipos sobre gênero e sexualidade. "Eu achava que o grande preconceito seria a questão de gênero e eu descobri que a velhice causa tanto ou mais resistência. Eu ouvi frases assim: 'Ah, se fosse um filme sobre travestis jovens e sexies seria mais interessante', 'falar de travestis velhas pra quê?'"
Após conseguir fechar o orçamento do filme via leis de incentivo à cultura e financiamentos coletivos, Leal ainda levou um bom tempo para conseguir editar todo o material captado. Por um período ela conciliou sua agenda como atriz de TV e cinema com a montagem do filme, mas depois se dedicou apenas à pós-produção de Divinas Divas. "Eu tive um ano de imersão na montagem. Depois eu me afastei um pouco. Você tem 400 horas [de material], você tem que eleger o que te emociona, [o filme tem] oito personagens…", disse.
Leal afirmou que entre as suas ifluências para o longa-metragem estão os trabalhos de Pedro Almodóvar, o clássico Cabaret ("um filme da minha infância, que minha mãe via muito", e os documentários Grey Gardens, Buena Vista Social Club ("tem o mesmo dispositivo de reencontro para uma comemoração") e Histórias que Contamos.
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