Cybercode
Adorocinema
Adorocinema
Cinema · · 3 min de leitura ·

Petrus Cariry comenta a Trilogia da Morte e os enigmas de Clarisse ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois (Exclusivo)

Petrus Cariry comenta a Trilogia da Morte e os enigmas de Clarisse ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois (Exclusivo)




Cineasta fala sobre o seu cinema de autor, de horror e do Ceará, e ainda sobre as dificuldades de lançar filmes independentes no país e sobre o seu próximo filme, O Barco.

Um dos filmes mais potentes de 2017 já foi lançado, na última semana, e é brasileiro: Clarisse ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois, dirigido por Petrus Cariry. Lançado em poucas salas no nordeste e no sudeste do país, o longa-metragem independente até reflete, em sua luta para ganhar o circuito comercial, a jornada de sua protagonista — vivida pela ótima Sabrina Greve. E esses temas foram debatidos em entrevista exclusiva com o AdoroCinema.

O encerramento e o significado da Trilogia da Morte, que Clarisse… compõe com os também intrigantes O Grão e Mãe e Filha, são bem traçados por Petrus. Sem economia, o cineasta cearense fala abertamente sobre os temas que aborda (do feminismo à aristocracia nordestina) nesse último filme, de seu cinema autoral, do próximo longa-metragem — O Barco — e seu crescimento na carreira sendo filho do renomado diretor Rosemberg Cariry.

Confira aqui em que salas está passando Clarisse ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois — que é uma experiência imperdível, e pra se ter (por sua grande qualidade de som e imagem) no cinema. Abaixo, o bate-papo bacana com o diretor Petrus Cariry:

Petrus Cariry: A Trilogia da Morte foi pensada desde o momento em que fiz o meu primeiro filme de longa-metragem, O Grão. A morte e a vida são dois lados inseparáveis de uma mesma moeda. Acho mesmo que a vontade do homem em superar a morte está no principio de toda a civilização e de toda a cultura. Todo mundo tem medo da morte e sonha com a imortalidade, mesmo que seja com o nome escrito numa placa, mas tudo vira pó e esquecimento. A maioria da população cristã acredita na vida pós-morte, mas quando alguém morre, estamos diante de um abismo, do desconhecido, e tememos. A nossa relação com a morte é diferente da dos orientais, que percebem esse processo como um coisa natural, nos ciclos de finitudes e renovações do mundo. Tento trabalhar a morte como o fim de um ciclo de vida, que leva a um recomeço, mesmo que seja em um plano simbólico. Clarisse ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois era para ser o segundo longa-metragem da trilogia, mas, como eu tinha ganhado dinheiro para fazer um curta, eu peguei o pouco dinheiro e realizei Mãe e Filha. Montei uma equipe de amigos, viajei para o sertão e rodei. Esse filme tem aquela carga psicológica bem pesada e flerta um pouco com o cinema de horror. É um filme que gosto muito, tem um clima denso, profundo, mas guarda o fascínio da beleza.

'Clarisse ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois' compõe essa trilogia com 'Grão' e 'Mãe e Filha'. Comente os traços comuns (narrativos, visuais, reflexões) entre eles.

Publicidade