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Cinema · · 3 min de leitura ·

Sneaky Pete: Crítica da primeira temporada

Sneaky Pete: Crítica da primeira temporada




Sneaky Pete talvez seja um dos últimos grandes exemplos de como uma emissora influencia, positiva ou negativamente, no resultado final de um programa. Isso porque a história e a abordagem dos episódios — sobretudo quando estamos tratando de uma série ficcional — estão ligadas ao formato e ao público-alvo do canal. Por isso, acaba fazendo diferença se o assunto for um canal aberto, fechado ou de streaming;  e conhecendo “a história antes da história” de Sneaky Pete, é possível entender como estas nuances afetaram no que é a primeira temporada da série.

Quando Sneaky Pete começou a ser desenvolvida, o projeto foi oferecido para o canal CBS, da rede aberta norte-americana. A ideia foi descartada pelos executivos e caiu no colo do Amazon Prime, que deu o aval para a temporada completa e liberdade criativa para os produtores. Permitindo à série que brilhasse sozinha em seu próprio espaço.

A série é um projeto passional de Bryan Cranston e David Shore (o criador de House). Os dois comandaram juntos o primeiro episódio, e quem assumiu a produção executiva depois disso foi Graham Yost, de Justified e The Americans. O ritmo compassado da história construída em nuances mínimas, e ancorada sobretudo na competência dos atores de fazer muito com um texto simples e sem ‘grandes’ lições é uma característica forte destes dramas, e que se repete com facilidade aqui.

A trama acompanha Marius Josipovic (Giovanni Ribisi), um vigarista que está saindo da cadeia e precisa se esconder de Vince (Bryan Cranston), um mafioso que está no encalço dele e do irmão, Eddie (Michael Drayer), devido a uma dívida antiga. Marius encontra a solução perfeita: ele decide assumir a identidade de Pete, seu ex-colega de cela, e se esconder na fazenda da família do rapaz, que não o via há 20 anos. O único problema é que, ao tentar sair de uma situação complicada, Marius/Pete vai acabar mergulhando em outros problemas com sua disfuncional ‘nova família’.

O primeiro episódio da trama é o mesmo piloto que havia sido apresentado à CBS, com algumas refilmagens e cenas adicionais. Ele apresenta uma estrutura óbvia de ‘caso-da-semana’, mas esta logo é abandonada completamente nos episódios seguintes, que cuidam de aprofundar a trama e o relacionamento entre os personagens.

Sneaky Pete é uma série em que cada personagem brilha sozinho. Trata-se de uma teia incrivelmente interligada de golpes e segredos escondidos, histórias particulares que aos poucos vão se revelando e se conectando através de pequenos detalhes. Grande parte disso ganha relevância justamente porque cada um dos membros do elenco seria capaz de conduzir a trama por si só; não apenas Giovanni Ribisi ou Bryan Cranston têm histórias demais a contar (e isso não é uma reclamação), mas todos aqueles personagens escondem mais sob a superfície. Margo Martindale, Libe Barer e Marin Ireland estão enormes em cena, e são aquelas personagens que o público tentará dissecar até o fim — apenas para encontrar mais uma camada de segredos escondida por…

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