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Cinema · · 3 min de leitura ·

Legion: Primeiras impressões (Crítica)

Legion: Primeiras impressões (Crítica)




Legion é o que aconteceria se a Marvel, Noah Hawley, Twin Peaks e o primeiro álbum do Pink Floyd tivessem um filho juntos.

A nova série do canal FX chegou à televisão rodeada de expectativas. Trata-se de uma ousada abordagem de uma propriedade da Marvel ("Legião"), com muitas pitadas de abstração. Não é nada do que estamos acostumados com outras adaptações dos quadrinhos, seja Demolidor ou Jessica Jones, Agents of S.H.I.E.L.D ou a franquia dos mutantes no cinema. Mesmo assim — e talvez justamente por isso — ela surpreende. Positivamente.

A série acompanha David Haller, um jovem diagnosticado com esquizofrenia que passou grande parte de sua vida institucionalizado em um hospital psiquiátrico. Lá, ele construiu uma amizade com a jovem Lenny, que está constantemente ouvindo músicas em seu próprio universo. Mas a vida de David muda completamente com a chegada de Syd Barrett, uma jovem que vai fazê-lo acreditar que as vozes que ele ouve em sua cabeça não são exatamente vozes…

Por trás da série, está a criativa mente de Noah Hawley, showrunner responsável também pela aclamada Fargo (que já conta com duas temporadas e terá a terceira neste ano), e conhecendo o trabalho anterior do produtor e roteirista aprendemos a confiar no fato de que ele está contando uma história maior e mais complexa do que as primeiras impressões dão a entender. O primeiro episódio se presta a introduzir inúmeras partes móveis na história, a dinâmica entre os personagens e o tom subjetivo. Não é uma série que vai agradar a todos, mas aqueles que continuarem muito provavelmente serão recompensados.

Se a câmera nos leva literalmente para dentro da mente de David, é interessante observar que as peças promocionais fizeram um bom trabalho ao esconder detalhes importantes deste início de trama, como a real natureza de Syd Barrett (que não por acaso leva o mesmo nome do líder do Pink Floyd), os laços familiares do protagonista e o desenrolar da história de Lenny. Esta, inclusive, é interpretada tão bem por Aubrey Plaza (existe outra pessoa que poderia dar vida a uma personagem tão particularmente interessante?) que só podemos desejar descobrir mais sobre ela no futuro.

Mas Plaza não é a única que se destaca no elenco, e Rachel Keller (Syd) nos presenteia com uma interpretação delicada de uma personagem igualmente fascinante e misteriosa. Dan Stevens (que será visto nos cinemas em março em A Bela e a Fera) convence como uma figura perturbada e traumatizada.

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