Festival de Berlim 2017: O brasileiro Pendular é um filme sobre “duas pessoas que se amam, mas não se conhecem”, diz a diretora Júlia Murat

Conversamos com a cineasta, o roteirista Matias Mariani e os atores principais, Raquel Karro e Rodrigo Bolzan.
Depois do premiado Histórias que Só Existem Quando Lembradas (2011), a diretora Júlia Murat apresentou no festival de Berlim o seu novo trabalho como diretora: Pendular, drama sobre um casal de artistas que mora no ateliê onde trabalha, um galpão gigantesco em que os conflitos entre os dois vêm à tona.
O filme é muito bom – leia a nossa crítica – e venceu o prêmio da crítica na Mostra Panorama em Berlim. Nós aproveitamos para conversar com a diretora, o roteirista Matias Mariani e os atores principais, Raquel Karro e Rodrigo Bolzan:
Pendular mostra o artista como profissional, longe da versão romantizada do marginal ou sofredor.
JULIA MURAT: A gente trabalha demais. A gente está ali ralando loucamente para produzir no final alguma coisa e justamente essa visão romântica é algo que sempre nos incomodou, de achar que o trabalho do artista é algo, primeiro, a ser necessariamente louvado e, segundo, algo que viria de uma inspiração, facilmente, porque somos deuses. A gente está ali trabalhando assim como um economista, um advogado, como um médico… Mas o resultado é diferente.
MATIAS MARIANI: A gente fez uma pesquisa sobre filmes que representavam trabalho do artista, e ficamos muito decepcionados por isso: não tinha nenhum que representasse o dia a dia e não a inspiração divina. A culpa dessa representação é nossa mesmo, não do público. Quando o artista é representado nos filmes, os diretores, os roteiristas e atores decidem interpretar desse jeito. É uma representação errada que justamente leva à percepção de que arte não é um trabalho de verdade.
Entre para comentar.