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Cinema · · 2 min de leitura ·

A Garota Desconhecida: “Todos temos culpa, mas de certa forma não fazemos nada”, afirmam os irmãos Dardenne (Entrevista exclusiva)

A Garota Desconhecida: "Todos temos culpa, mas de certa forma não fazemos nada", afirmam os irmãos Dardenne (Entrevista exclusiva)




Conversamos com Jean-Pierre e Luc Dardenne, dois dos diretores europeus mais reconhecidos na atualidade.

Jean-Pierre e Luc Dardenne, irmãos gêmeos que fizeram história ao ganhar duas vezes a cobiçada Palma de Ouro, prêmio máximo do Festival de Cannes, por Rosetta e A Criança. No Festival de Cannes 2016, a dupla esteve de volta à mostra competitiva com seu novo longa-metragem: A Garota Desconhecida, já em cartaz nos cinemas brasileiros.

O AdoroCinema pôde conversar com os Dardenne em plena Croisette, onde falaram sobre seu método particular de trabalho, como foi a construção da personagem principal e o sentimento de culpa que permeia a sociedade. Confira!

Quem conhece os filmes dirigidos pelos Dardenne, sabe bem que eles possuem características muito próprias: bastante câmera na mão, closes fechados, poucos personagens e uma fotografia naturalista, muitas vezes com a luz estourando na tela. Mas como é o método de trabalho deles, antes de iniciar as filmagens? "Nós escrevemos os personagens, construímos as situações ao redor deles e paramos por aí. Fazemos algumas anotações sobre esses personagens e essas situações; quando decidimos fazer o filme, relemos o que escrevemos e revisamos isso. É como cozinhar", explica Jean-Pierre.

"A câmera neste filme é mais passiva do que nos outros filmes que fizemos porque, assim, podemos registrar mais das suas atitudes. É por isso também que não há música. Temos os sons dos ambientes, mas não há música. Até existe uma canção, mas o silêncio é muito mais importante neste filme. Se não há silêncio na música, não há música", complementa.

Em A Garota Desconhecida, a médica interpretada por Adèle Haenel fica cada vez mais obcecada em descobrir a identidade de uma garota que, após ir à clínica em que ela trabalha, não foi atendida por já ter encerrado o horário de funcionamento. Logo em seguida, a garota sem nome é encontrada morta. Luc Dardenne admite que há nesta história uma conexão com a situação dos refugiados na Europa.

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