Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 6 de agosto de 2020 · 2 min de leitura ·

14 anos após sua descoberta, ‘rugido’ cósmico ainda intriga cientistas

14 anos após sua descoberta, 'rugido' cósmico ainda intriga cientistas

O que você precisa saber

Em 2006 um instrumento da NASA chamado Arcade (Absolute Radiometer for Cosmology, Astrophysics, and Diffuse Emission, Radiômetro Absoluto para Cosmologia, Astrofísica e Emissões Difusas), preso a um balão a 37 km de altura flutuando no meio da estratosfera, fez uma descoberta que intrigou os cientistas.

Criado para detectar ondas de rádio geradas pelo calor de estrelas distantes, o que ele encontrou foi um sinal onipresente, seis vezes mais intenso do que o esperado pelos cosmólogos. E até hoje, eles não sabem qual a causa. Devido à intensidade, o sinal foi apelidado de “space roar”, o “rugido espacial”.

Desde então, cientistas vem trabalhando para descrever as propriedades do sinal e tentar determinar sua origem. “É um sinal difuso vindo de todas as direções, então não é causado por um objeto único”, diz Al Kogut, que liderou a equipe do Arcade no Goddard Space Flight Center, da Nasa. “O sinal tem um espectro de frequências, ou ‘cor’, que é similar às emissões de rádio de nossa própria galáxia, a Via-Láctea”.

Cientistas chamam o sinal de “radiação síncrotron de fundo”. Síncrotron é um tipo de emissão gerada por partículas de alta energia com campos magnéticos. Mas como todas as fontes têm o mesmo espectro característico, determinar a origem do rugido é difícil.

“Há bons argumentos dizendo porque ele não pode estar vindo de dentro da Via-Láctea, e bons argumentos dizendo porque ele não pode estar vindo de fora da galáxia”, diz Kogut.

Uma possível razão para ele não estar vindo de nossa galáxia é que o rugido não parece seguir a distribuição espacial das emissões de rádio da Via-Láctea. Ninguém afirma com certeza de que o sinal não vem de uma fonte mais próxima de nós, mas os melhores palpites são de que ele vem de outro lugar.

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