
O que você precisa saber
Durante uma reunião pública nesta segunda-feira o chefe de polícia de Detroit, James Craig, admitiu que a tecnologia de reconhecimento facial usada pela polícia da cidade, desenvolvida por uma empresa chamada DataWorks Plus, “quase nunca” traz uma correspondência exata com a imagem de um suspeito, e “quase sempre” identifica incorretamente as pessoas.
“Se usássemos apenas o software para identificar suspeitos, não resolveríamos o caso em 95 a 97% das vezes”, disse Craig. “Isso se confiássemos apenas no software, o que é contra nossa política atual. Se usássemos apenas a tecnologia, sozinha, para identificar alguém, eu diria que em 96% dos casos a identificação seria incorreta”. O índice é pior se comparado ao da polícia de Londres, onde o software erra em 81% dos casos.
O uso da tecnologia de reconhecimento facial pela polícia de Detroit veio à tona após o caso de Robert Julian-Borchak Williams, um homem que foi preso após ser erroneamente “reconhecido” pelo software, ganhar notoriedade graças a um artigo no The New York Times. Ao interrogar Williams, os policiais rapidamente perceberam que ele não se parecia em nada com o suspeito fotografado no local do crime.
Como resultado da imprecisão, cidadãos que não tem nada a ver com o incidente são questionados e investigados pela polícia. Em Detroit, isso acontece quase que exclusivamente com a população negra.
Segundo relatórios da própria polícia, até a última segunda-feira (22), a tecnologia foi usada 70 vezes, e em 68 delas, a foto inserida no sistema foi de um negro. Em dois outros casos a etnia não foi identificada. Em 31 dos 70 casos, as fotos foram retiradas de redes sociais, e em 18 dos 70 casos, elas vieram de câmeras de segurança.
Sistemas de reconhecimento facial estão sendo amplamente usados por forças de segurança em todo o mundo. Foto: Reuters
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