Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 3 de novembro de 2020 · 2 min de leitura ·

Raro enterro de criança realizado há oito mil anos revela segredos

Raro enterro de criança realizado há oito mil anos revela segredos

Os arqueólogos da ANU (Australian National University) descobriram um raro enterro de uma criança realizado há oito mil anos na Ilha de Alor, na Indonésia. O sepultamento, muito peculiar para a região, data do início do Holoceno médio (iniciado há cerca de 11,5 mil anos) e fornece informações importantes sobre as práticas de sepultamento da época.

A pesquisadora principal da ANU, Dra. Sofia Samper Carro, disse que a criança, que devia ter entre quatro e oito anos, foi sepultada em algum tipo de cerimônia. “O pigmento ocre foi aplicado nas bochechas e na testa e uma pedra de paralelepípedo também de cor ocre foi colocada sob a cabeça da criança no enterro. Os enterros de crianças são muito raros e este sepultamento completo feito nessa época é único”, comentou Samper Carro.

Mandíbula fragmentada e abóbada craniana. A articulação temporomandibular parece articulada. Imagem: Sra. Tahlia Stewart/ANU/Reprodução

A descoberta proporciona uma nova visão sobre os ritos funerários realizados há oito mil anos e como as famílias da época faziam o enterro de suas crianças. 

“De três mil anos atrás até os tempos modernos, começamos a ver mais enterros de crianças e estes são muito bem estudados. Mas, até então, não tínhamos nada para saber como as pessoas tratavam seus filhos mortos antes desse período. Esta descoberta vai mudar isso”, explicou Samper Carro.

Notavelmente, os ossos do braço e da perna da criança foram removidos antes do enterro e descartados em outro lugar. “A falta de ossos longos é uma prática documentada em vários outros sepultamentos de período semelhante em Java, Bornéu e Flores, mas esta é a primeira vez que a vemos no enterro de uma criança”, disse o Dr. Samper Carro. 

Compartilhe