Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 14 de maio de 2021 · 2 min de leitura ·

Mosquitos geneticamente modificados levantam voo na Flórida

Mosquitos geneticamente modificados levantam voo na Flórida

Os primeiros mosquitos geneticamente modificados levantaram voo no vilarejo de Islamorada, localizado nas Ilhas Keys, sul do estado da Flórida, nos Estados Unidos. Depois de um longo debate, a empresa britânica de biotecnologia Oxitec liberou as muriçocas nesta sexta-feira (14) para tentar controlar a população invasora de Aedes aegypti, que vem espalhando dengue e a Zika. na região.

Os mosquitos transgênicos são machos e já estão em idade de acasalamento. Eles cresceram a partir de ovos colocados em caixas hexagonais do tamanho de torradeiras em casas suburbanas no final de abril. Monitores do experimento confirmaram o amadurecimento dos pernilongos na quarta-feira (12). Agora, os animais vão encontrar as fêmeas de Aedes aegypti.

Os insetos da Oxitec carregam complementos genéticos que bloqueiam o desenvolvimento nas fêmeas. Assim, nenhuma larva fêmea deve sobreviver até a idade adulta na natureza. Metade dos mosquitos filhotes do sexo masculino liberados carregam a característica de matar as filhas. Isso porque são as fêmeas que transmitem as doenças. A outra parte vai gerar famílias normais de carapanãs.

Se tudo acontecer como planejado, até 12 mil mosquitos geneticamente modificados vão alçar voo por 12 semanas, inicialmente. Casas da região, longe dos nascedouros dos insetos, vão hospedar armadilhas para monitorar os mosquitos. Depois, mais lançamentos das muriçocas podem colocar até 20 milhões dos bichos no ar até o outono do Hemisfério Norte.

O plano da Oxitec foi aprovado em 2020, pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) por meio de uma autorização especial. A decisão se destacou porque a agência nunca pediu que a Oxitec realizasse testes em gaiola, experimentos que mostrariam como os mosquitos modificados se saem em ambiente controlado. Isso ajudaria a revelar problemas antes que eles tenham a oportunidade de causar danos reais.

Também não há exigência para avaliar se o experimento realmente levará a uma redução na transmissão de doenças ou se causará impactos no ecossistema. O processo regulatório também foi omisso aos olhos do público. Só duas páginas da documentação foram disponibilizadas no site da EPA.

Compartilhe