Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 14 de maio de 2021 · 2 min de leitura ·

Porcos e roedores podem respirar pelo intestino

Porcos e roedores podem respirar pelo intestino

Diversas formas de vida do reino Animalia respiram de modos diferentes. Mas, é de se imaginar que aqueles integrantes da mesma classe tenham sistemas similares, não é? Bem, mais ou menos. Um novo estudo afirma que mamíferos como porcos e roedores podem respirar também pelo intestino.

Tecnicamente, não é um processo de inspiração e expiração como pelos narizes. O que acontece é o fornecimento de oxigênio pelo reto e intestino. Parece estranho, mas acontece também com peixes. Em emergências, quando há hipóxia, a redução da oxigenação nos tecidos do corpo, alguns animais aquáticos, como pepinos-do-mar, bagres e bótias de água doce, maximizam a ingestão de oxigênio, respirando pelas entranhas.

Foi justamente a habilidade desses animais aquáticos que levantou a questão sobre a possibilidade de mamíferos conseguirem respirar com essa parte do corpo. Parecia improvável, mas cientistas japoneses e americanos, liderados pelo cirurgião torácico Ryo Okabe, da Universidade de Kyoto, decidiram tentar.

O objetivo do grupo é procurar uma viabilidade para ventiladores retais em pacientes humanos com dificuldades respiratórias. “O suporte respiratório artificial desempenha um papel vital no tratamento clínico da insuficiência respiratória devido a doenças graves, como pneumonia ou síndrome do desconforto respiratório agudo”, disse o gastroenterologista Takanori Takebe, da Universidade Médica e Dental de Tókio e do Centro Médico-Hospitalar para Crianças de Cincinnati.

Ainda é preciso avaliar efeitos colaterais e segurança para uso em humanos, mas a pesquisa oferece um novo paradigma para pacientes em situações críticas, acrescentou o médico. As opções padrão dependem de ventilação mecânica ou sistemas de pulmão artificial, que se tornaram escassas por causa da pandemia da Covid-19. Um método alternativo seguro pode salvar vidas.

Inicialmente, os cientistas usaram ratos como cobaias. Os animais foram anestesiados e um sistema de ventilação com oxigênio foi desenvolvido para ser inserido no ânus do animal. Os bichos tiveram uma hipóxia induzida por meio de intubação traqueal. Os camundongos ventilados intestinalmente foram comparados a camundongos de controle que não receberam ventilação.

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