Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 23 de julho de 2021 · 2 min de leitura ·

Novo conceito do radiotelescópio de Arecibo sonha em ir além do modelo original

Novo conceito do radiotelescópio de Arecibo sonha em ir além do modelo original

Cientistas criaram um novo conceito para recriar o radiotelescópio de Arecibo, que foi desativado após vários acidentes em 2020, para quem sabe um dia reconstruir algo que vá além do modelo original, preenchendo um dos maiores vazios da ciência moderna.

O projeto foi apelidado de “Next Generation Arecibo Telescope” (“Nova Geração do Telescópio de Arecibo”, na tradução literal) e conta com a expertise de diversas entidades de pesquisa astronômica: “Nós tivemos que pensar grande e sermos ousados, porque você não inspira ou serve as gerações futuras se apenas pensar em fazer de novo o que já foi feito”, disse Noemí Pinilla-Alonso, cientista principal do Observatório Arecibo. “[O modelo antigo] foi resultado de alguém que pensou grande há 60 anos. Agora, nós temos que pensar assim para os próximos 60”, disse ela, que também é uma das dezenas de co-autores do novo design.

“[A desativação de] Arecibo deixou um enorme buraco”, disse Francisco Cordova, um dos diretores do observatório e que também assina o novo design. “Temos centenas de cientistas que estão lutando para encontrar outro telescópio capaz de lhes fornecer os dados de que precisam para continuar suas pesquisas e projetos”.

De acordo com Joanna Rankin, astrônoma da Universidade de Vermont e co-autora, o novo design começou a ser criado em torno de dois meses após o colapso final do telescópio, em dezembro de 2020. De lá para cá, em meio a várias chamadas em vídeo pelo Zoom, o resultado foi um paper de aproximadamente 70 páginas, sugerindo um novo conceito em substituição ao anterior.

Basicamente, o desejo dos autores é o de que o novo telescópio de Arecibo seja poderoso o suficiente para reunir, em um só lugar, pelo menos três grandes campos de estudos do espaço: pesquisa ionosférica (estudo da região da atmosfera com grande incidência da radiação do Sol), radioastronomia (quando cientistas usam sinais de rádio para identificar fenômenos no espaço) e radar planetário.

“Essas três partes bem específicas evoluíram de forma simbiótica em Arecibo, algo completamente único daquela estrutura”, disse Rankin. “Nós buscamos manter o projeto como uma estrutura multidisciplinar”, disse Pinilla-Alonso. “Não queremos priorizar uma sobre a outra, então precisamos pensar em algo que possa servir às três comunidades”.

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