
Dados analisados pelo módulo de pouso InSight indicam que Marte tem uma “anatomia interna” diferente do que se acreditava: seu núcleo pode ser maior, seu manto, mais denso e sua crosta, mais fina do que se pensava em estimativas anteriores tiradas por cientistas.
Segundo os cientistas por trás do InSight (sigla em inglês para “Exploração Interior usando Investigações Sísmicas, Geodésia e Transporte de Calor”), os novos resultados podem não apenas nos ajudar a compreender melhor o passado e presente de Marte, mas também estimar formações em outros planetas de constituição mais rochosa.
“Isso é como ter uma caixinha trancada e tentar determinar o que há dentro dela apenas com algumas informações gerais do lado de fora”, disse Brigitte Knapmeyer-Endrun, uma pesquisadora da Universidade de Colônia, na Alemanha, e autora principal de um dos três estudos baseados nos dados do módulo InSight.
Segundo a especialista, a sismologia é algo relativamente jovem, com a ciência tendo começado na Terra apenas em 1889 ao investigar o terremoto que deu origem ao Japão. Depois, astronautas da Apollo posicionaram sensores na Lua, mas a captação sísmica destes era limitada a algumas ondas específicas.
Por isso, planetas e corpos de concepção rochosa ainda são um mistério para nós. No caso dos terremotos de Marte e o impacto disso em seu núcleo, cientistas vinham estudando o assunto por meio do impacto de meteoritos, exploração da superfície e observações gravitacionais e magnéticas de satélites — tudo no intuito de especular de forma aprofundada sobre como é o interior do planeta vermelho.
Anteriormente, modelos científicos estipulavam que a crosta de Marte tinha espessura de 110 quilômetros (km) – bem mais grossa do que a da Terra, que fica entre 5 e 70 km. Agora, graças a uma análise mais aprofundada das ondas de choque (especificamente, ondas primárias — ou “P” — e secundárias — ou “S”), é possível determinar pontos de origem dos tremores.
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