
Um grupo de pesquisadoras da Virginia Tech, em parceria com o Instituto de Pesquisa Biomédica Fralin, descobriu uma relação entre novos processos de aprendizado e a redução dos sintomas da depressão, publicando suas conclusões em um novo estudo científico veiculado no Journal of American Association.
De forma resumida, as cientistas criaram modelos computacionais que simulam funções cerebrais, a fim de analisar os gatilhos que levam uma pessoa à depressão. A descoberta veio ao comparar motivos que levariam alguém a melhorar dessa condição, desencadeada no paciente após ele apresentar melhoras em componentes de aprendizado que foram alterados ou interrompidos antes da terapia.
Por “aprendizado”, os cientistas referem-se à terapia comportamental cognitiva, um método de psicanálise que mostra ao paciente como identificar e corrigir padrões negativos de pensamento. A grosso modo: o depressivo aprende não só a ver, mas também a lidar, com problemas que o levem a um estado de tristeza ou desencanto.
“Medicações atuais e terapias de comportamento ajudam, mas para muitas pessoas lutando contra a depressão, os tratamentos atuais não trabalham muito bem”, disse Pearl Chiu, professora associada do instituto e uma das autoras do estudo. “Nós precisamos considerar outras vias que levam alguém à depressão. Tais vias, ou mecanismos, podem apontar o caminho para novos tratamentos para serem explorados”.
Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2020, mais de 16 milhões de pessoas sofrem de alguma forma de depressão no país – um aumento de 34% ao longo dos seis anos anteriores. Em tempos de pandemia, um estudo da Universidade de Oxford revelou que um terço dos sobreviventes da Covid-19 desenvolveu algum tipo de distúrbio psicológico – classificação onde entra a depressão.
“A depressão é uma doença muito séria, e uma das principais causas de invalidez no mundo inteiro. Esperamos que o nosso trabalho sirva de ponte para que terapeutas comportamentais e cientistas computacionais identifiquem de forma mais precisa o que ela tem por causa e novas formas de tratá-la”, disse Vanessa Brown, ex-aluna da Virginia Tech e atual professora de psicologia e psiquiatria na Universidade de Pittsburgh, além de autora principal do estudo onde as pesquisadoras estabelecem a relação entre depressão e novos métodos de aprendizado.
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