
De acordo com um estudo publicado nesta quinta-feira (29) na revista Science, as mudanças climáticas estão acentuando ainda mais os conflitos entre humanos e animais selvagens ao modificar os ecossistemas e comportamentos, o que pode aprofundar os contatos — e a competição potencial — entre pessoas e animais.
A professora de biologia e membro do Centro de Ecossistemas Sentinelas da Universidade de Washington, Briana Abrahms, responsável pelo estudo, vê a necessidade de expansão de pesquisas sobre as muitas maneiras pelas quais as mudanças climáticas podem vir a afetar a complexa interação entre as atividades humanas e as populações da vida selvagem.
Em entrevista ao UW News, Abrahms explicou que incorporar as mudanças climáticas aos estudos das interações entre humanos e animais selvagens não só irá ajudar os cientistas a encontrar maneiras de mitigar os efeitos desses conflitos. Isso também pode alertar os legisladores, especialistas e cidadãos comuns sobre as fontes potenciais de conflito entre humanos e animais selvagens antes que elas ocorram.
“Já faz algum tempo que estou examinando esse assunto. Mas, fiquei realmente motivada quando tive dois exemplos claros de ecossistemas completamente diferentes diante de mim, onde eventos climáticos extremos levaram a um conflito catastrófico”, disse a pesquisadora. “Isso me fez pensar o quão prevalente isso é globalmente”.
O primeiro evento, segundo Abrahms, aconteceu em 2015 e 2016, quando houve um aumento dramático no número de baleias emaranhadas em redes de pesca na costa oeste dos EUA. Ele foi fruto de dois outros: “Primeiro, as baleias se moveram mais para a costa para perseguir suas presas, que haviam se movido durante a onda de calor”, explica.
“Em segundo lugar, mudou o calendário da temporada de pesca do caranguejo Dungeness. Essa conjunção da mudança na forma como as baleias usam seu espaço disponível no oceano e o momento dessa pescaria criou essa tempestade perfeita de sobreposição e levou diretamente a um aumento do emaranhamento de baleias”.
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