Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 10 de setembro de 2021 · 2 min de leitura ·

“Dragão Azul”, molusco venenoso do alto mar, é visto em praia de São Paulo

“Dragão Azul”, molusco venenoso do alto mar, é visto em praia de São Paulo

Um “Dragão Azul”, apelido atribuído a uma lesma da família Glaucus atlanticus, foi registrado por uma banhista na praia de Bertioga, em Santos, litoral sul de São Paulo. O animal, que estava encalhado na praia, viralizou nas redes sociais nesta semana.

O dragão azul é o que se convém chamar de “lesma do mar”. Segundo o professor e doutor docente em Zoologia da USP, Luiz Ricardo Simone, ele se locomove “flutuando pelas águas”, sem contato direto com o solo. O especialista, que falou ao G1, conta que essa espécie não desenvolveu funções motoras como rastejar, tal qual outras lesmas.

Por essa razão, ele é dependente dos movimentos do mar: “quando encalha, se a maré não alcançá-lo para levá-lo de volta, ele acaba morrendo ali”, disse Simone.

O dragão azul, por si só, não é venenoso. Entretanto, não é recomendado manipulá-lo sem proteção, haja vista que ele armazena o dispositivo venenoso de sua refeição favorita – as caravelas portuguesas -, acumulando em seu corpo as substâncias urticantes de suas presas e despejando-as pelo contato a uma potência ainda mais elevada.

Vale lembrar: caravelas portuguesas, embora não sejam águas vivas, têm um visual parecido com elas, embora o tamanho seja muito diferente. Esse tipo de cnidário pode apresentar tentáculos de até 50 metros (m), com células urticantes que podem causar queimaduras de até terceiro grau. E o dragão azul, diminuto como é (um indivíduo adulto varia entre 3 e 5 centímetros), se alimenta delas.

“Caso as pessoas o encontrem, o ideal é que não toquem no animal, com o objetivo de evitar qualquer acidente. É um animal que merece ser admirado”, disse ao G1 a mestranda pelo Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP) em Sistemática, Taxonomia Animal e Biodiversidade, Gemany Caetano.

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