Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 22 de novembro de 2023 · 2 min de leitura ·

Estranho vidro amarelo encontrado no deserto tem origem extraterrestre, revela estudo

Estranho vidro amarelo encontrado no deserto tem origem extraterrestre, revela estudo

Pedaços de vidro com coloração amarela espalhados pelo Grande Mar de Areia, deserto de 72 mil quilômetros quadrados que se estende entre o Egito e a Líbia, sempre intrigaram os cientistas. Eles foram descritos pela primeira vez em um artigo científico em 1933. Mas agora, pesquisadores parecem ter descoberto a origem do material.

A origem do vidro é objeto de debate entre cientistas há quase um século. Alguns sugeriram que ele poderia ser originário de vulcões na Lua. Outros propõem que é produto do fenômeno fulgurite, quando vidros se formam a partir da fusão da areia e do solo após serem atingidos por raios. Há, ainda, teorias de que o material foi formado por processos sedimentares ou hidrotermais.

Mas um novo estudo de pesquisadores de universidades e centros de ciência na Alemanha, Egito e Marrocos, identificaram a real origem do vidro do deserto líbio. Segundo eles, o material é resultado de impacto de um meteorito na superfície da Terra.

Em 1996, os cientistas já haviam descoberto que o vidro tinha cerca de 29 milhões de anos. Um estudo posterior sugeriu que o material de origem era composto por grãos de quartzo, revestidos com argilominerais mistos e óxidos de ferro e titânio. Essas substâncias, no entanto, não existiam naquele local do planeta naquele período.

No novo trabalho, especialistas coletaram pedaços do vidro na região de Al Jaouf, no sudeste da Líbia. As amostras foram analisadas a partir de uma técnica de microscopia eletrônica de transmissão (MET) de última geração, que permite ver minúsculas partículas de material, 20 mil vezes menores do que a espessura de uma folha de papel.

O resultado: foram encontrados diferentes tipos de óxido de zircônio (ZrO₂). Esses minerais são compostos por elementos químicos, cujos átomos formam embalagens tridimensionais regulares. Além disso, só são formados em temperatura extremas, entre 2.250°C e 2.700°C, e em altas pressões, cerca de 130 mi atmosferas.

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