
A possível prorrogação dos incentivos para a importação de veículos eletrificados desmontados voltou a colocar a indústria automotiva brasileira em estado de alerta. Um estudo divulgado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) aponta que a ampliação do uso dos regimes CKD (completely knocked down) e SKD (semi knocked down) pode provocar impactos profundos no setor, com reflexos no emprego, na arrecadação e na competitividade do país.
Além da Anfavea, montadoras como BYD, que adota o SKD como modelo de produção, e Volkswagen, Stellantis e General Motors, com modelos de produção tradicionais, estão no centro dessa discussão.
Segundo a entidade, a substituição da produção completa de veículos no Brasil pela simples montagem de kits importados pode levar à eliminação de até 69 mil empregos diretos, o equivalente a cerca de 75% da força de trabalho atual da indústria automotiva. Além disso, outros 227 mil postos indiretos ao longo da cadeia – que inclui fabricantes de autopeças, logística, engenharia e serviços – também seriam afetados.
Do ponto de vista econômico, as perdas estimadas chegam a R$ 103 bilhões para o setor de autopeças, além de uma redução de aproximadamente R$ 26 bilhões em arrecadação de tributos em apenas um ano. As exportações de veículos também sofreriam impacto, com uma queda estimada em R$ 42 bilhões, pressionando a balança comercial.
O debate ganha urgência porque o regime especial aprovado em julho de 2025 tem data para acabar: 31 de janeiro. A medida autorizou uma cota adicional de US$ 463 milhões com imposto de importação zerado para veículos elétricos e híbridos desmontados durante seis meses.
A decisão foi tomada em meio a uma disputa intensa entre montadoras já instaladas no país, como Volkswagen, General Motors, Stellantis e Toyota, e a chinesa BYD, que hoje opera no Brasil majoritariamente no modelo SKD em sua fábrica de Camaçari (Bahia), inaugurada no ano passado. A justificativa é usar o modelo até conseguir nacionalizar a produção.
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