
O Pantanal é uma das áreas mais inóspitas da Terra. Mesmo assim, os humanos habitam a região altamente alagável há milhares de anos. Mas a presença do homem no local pode ser ainda mais antiga do que se imaginava.
De acordo com Costa e Diener, grupos habitam a bacia do Alto Rio Paraguai há pelo menos 8 mil anos.
Segundo os pesquisadores, aqueles que viviam por lá nesse período eram hábeis no manejo dos instrumentos de pedra e sobreviviam à base da coleta, da caça e da pesca. Eles moravam às margens das grandes lagoas cercadas por morros, onde o solo era mais apropriado para a agricultura e havia fartura de madeira para, entre outras coisas, construir canoas.
Não há dados inéditos no livro. Em linhas gerais, os autores conciliam dois movimentos: por um lado, reconstituem e contextualizam registros históricos, como os feitos pelo colonizador espanhol Cabeza de Vaca, que esteve na região no século 16; por outro, pinçam as pesquisas recentes mais relevantes sobre a região, produzidas em universidades, para apresentá-las de modo acessível a um público mais amplo.
No capítulo mais voltado à arqueologia, Costa e Diener chamam a atenção para dois legados deixados pelos primeiros habitantes pantaneiros. De início, os sítios rupestres, conjuntos de gravuras e pinturas nas paredes rochosas de locais como a lagoa Gaíva, em Corumbá (MS).
Estudos recentes citados pelos autores concluíram que as figuras foram inscritas nas pedras para ajudar os moradores a medir o nível das águas, assumindo a função de calendários. A partir desses cálculos, eles poderiam definir, por exemplo, os ritos cotidianos. Ou seja, era uma linguagem gráfica vital para o dia a dia das comunidades.
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